Nutricionista explica quando a troca pode ajudar a reduzir o consumo de açúcar e por que bebidas zero não devem ser confundidas como opções saudáveis
Rio de Janeiro, setembro de 2026 – Na hora de escolher uma bebida, a versão zero costuma aparecer como alternativa para quem deseja reduzir o consumo de açúcar e calorias. Em termos nutricionais, a substituição pode, de fato, representar uma redução importante na ingestão desses nutrientes, mas isso não significa que a bebida zero seja automaticamente saudável.
O Ministério da Saúde recomenda evitar o consumo de bebidas adoçadas, como refrigerantes, sucos industrializados e refrescos, e priorizar água e outras bebidas sem adição de açúcar. O Guia Alimentar para a População Brasileira também orienta que alimentos in natura ou minimamente processados sejam a base da alimentação.
Para a nutricionista Stephany Rangel, da Hapvida, a principal vantagem das bebidas zero está justamente na redução do açúcar e das calorias. “Esse benefício é relevante porque bebidas açucaradas fornecem uma quantidade grande de açúcar sem oferecer nutrientes relevantes. Mas zero não significa saudável. A bebida continua sendo ultraprocessada e pode conter aditivos”, explica.
A troca pode ser uma estratégia especialmente para quem está acostumado a consumir refrigerantes ou outros alimentos açucarados diariamente. Segundo Stephany, a substituição pode ajudar pessoas que desejam reduzir calorias, mas têm dificuldade de retirar imediatamente esse tipo de bebida da rotina.
“Nesse contexto, a troca pode funcionar como estratégia de redução de danos. A substituição pode ser útil para quem consome bebidas açucaradas todos os dias e deseja fazer uma transição gradual para opções menos doces e mais saudáveis”, afirma a especialista.
A nutricionista ressalta, porém, que a mudança não deve significar a manutenção do hábito de consumir bebidas muito doces. “Trocar a bebida comum por zero pode reduzir o açúcar, mas não resolve o hábito de consumir bebidas muito doces. A recomendação é utilizar a substituição como uma etapa de transição e redução de danos, e não como uma justificativa para consumir essas bebidas continuamente.”
O consumo frequente de bebidas açucaradas está associado a problemas como ganho de peso e obesidade, diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e cáries. Por isso, mais importante do que apenas trocar uma versão por outra é reduzir gradualmente a preferência pelo sabor excessivamente doce.
Sobre os adoçantes, a especialista destaca que a discussão deve ir além da quantidade de calorias. “A preocupação, na verdade, é pensar qual é o benefício de consumir adoçantes continuamente. Não há benefício comprovado do uso de adoçantes para controle de peso a longo prazo. Então, ele deve ser visto como uma ajuda para a diminuição do consumo de açúcar, mas não como algo benéfico para a saúde.”
Na prática, quais bebidas priorizar?
A água deve continuar sendo a principal bebida do dia. Para quem sente falta de gás ou sabor, existem alternativas simples que podem ajudar na transição.
“Além da água, a água com gás ajuda bastante quem tem o hábito de consumir bebidas gaseificadas e adoçadas. Também é possível utilizar água aromatizada naturalmente como frutas, ervas ou especiarias e chás sem açúcar”, orienta a nutricionista.
Os sucos também exigem atenção. Um suco 100% de fruta pode oferecer vitaminas, minerais e compostos bioativos que não estão presentes em um refrigerante zero, mas não deve ser considerado equivalente à fruta inteira nem consumido livremente como fonte de hidratação.
“Um pequeno copo de suco, dentro de uma alimentação adequada, pode fornecer nutrientes, mas não deve ser encarado como equivalente à fruta inteira nem como bebida de hidratação livre. É sempre importante dar preferência aos alimentos mais naturais”, explica Stephany.
O que observar no rótulo das bebidas zero:
- “Zero açúcar” não significa necessariamente zero calorias;
- Verificar quais adoçantes foram utilizados;
- Observar a lista completa de ingredientes;
- Avaliar a presença de outros aditivos;
- Não considerar a bebida zero automaticamente uma opção saudável por ter menos açúcar;
- Priorizar água e bebidas sem adição de açúcar no dia a dia.
A recomendação, portanto, não é simplesmente trocar uma bebida açucarada por uma versão zero e manter o consumo. Para quem bebe refrigerante diariamente, uma redução gradual pode ser mais realista e sustentável.
Caso ainda exista dificuldade para abandonar o refrigerante, a versão zero pode funcionar como uma etapa intermediária.
Sobre a Hapvida
Com mais de 80 anos de experiência, o Grupo Hapvida é hoje o maior ecossistema de saúde da América Latina. A companhia possui mais de 75 mil colaboradores e atende quase 16 milhões de beneficiários de saúde e odontologia espalhados pelas cinco regiões do Brasil.
Todo o aparato foi construído a partir de uma visão voltada ao cuidado completo, com mais de 800 unidades espalhadas pelo Brasil, incluindo 84 hospitais, prontos atendimentos, clínicas médicas, centros de diagnóstico e coleta laboratorial, além de espaços especificamente voltados ao cuidado preventivo e crônico.




























