ARTIGO DE OPINIÃO
Cuiabá dá um passo histórico na proteção dos profissionais da saúde ao se tornar o primeiro município de Mato Grosso a implantar o programa “Vigia Mais Saúde – Botão do Pânico”. A iniciativa representa muito mais do que tecnologia e segurança: ela simboliza respeito, valorização e reconhecimento a milhares de trabalhadores que diariamente enfrentam jornadas exaustivas, pressão emocional e, infelizmente, situações recorrentes de violência dentro das unidades de saúde.
Como enfermeira e presidente da Câmara Setorial Temática (CST) da Enfermagem da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, acompanho de perto a realidade vivida por médicos, enfermeiros, técnicos, recepcionistas e demais profissionais que atuam na linha de frente do atendimento à população. Durante muito tempo, a violência sofrida por esses trabalhadores foi naturalizada. Hoje, finalmente começamos a mudar essa realidade.
O lançamento do botão do pânico nas UPAs Leblon, Verdão, Morada do Ouro, Pascoal Ramos, além do Hospital Municipal de Cuiabá (HMC) e Hospital São Benedito, mostra que o poder público começa a compreender que proteger quem cuida da população também é uma política de saúde pública.
A violência contra profissionais da saúde cresceu nos últimos anos em todo o Brasil. Casos de agressões verbais, ameaças, depredações e até ataques físicos passaram a fazer parte da rotina de muitas unidades. Isso gera adoecimento emocional, afastamentos e insegurança para trabalhadores e pacientes.
Por isso, a integração entre saúde e segurança pública é tão importante. O sistema permitirá que qualquer situação de risco seja comunicada imediatamente à Secretaria de Estado de Segurança Pública, garantindo resposta rápida das forças policiais e aumentando a sensação de proteção dentro das unidades.
Essa pauta sempre esteve entre as prioridades da Câmara Setorial Temática da Enfermagem, instalada pelo presidente da Assembleia Legislativa, deputado Max Russi. Desde a criação da CST, defendemos a elaboração de um Plano Estadual de Prevenção à Violência contra Profissionais da Saúde, justamente porque entendemos que não existe atendimento humanizado quando o trabalhador atua sob medo constante.
Inclusive, uma indicação apresentada na Assembleia Legislativa propôs a instalação de sistemas tecnológicos de segurança em hospitais e UPAs de Mato Grosso, com monitoramento eletrônico, integração às forças policiais e implantação de botões de pânico para prevenir agressões e proteger os trabalhadores da saúde.
A implantação desse projeto em Cuiabá pode se transformar em referência para outros municípios do estado e do país. Precisamos ampliar esse debate e garantir que todas as unidades de saúde tenham protocolos de segurança modernos, eficientes e permanentes.
Além da luta pelo piso salarial nacional da enfermagem, pela PEC 19 e pela valorização profissional, também precisamos defender condições dignas de trabalho. Segurança é dignidade. Segurança é valorização. Segurança também salva vidas.
O profissional da saúde precisa entrar no plantão preocupado em cuidar das pessoas, e não em voltar vivo para casa.
Cuiabá sai na frente ao reconhecer essa urgência. Agora, esperamos que outros municípios tenham a mesma sensibilidade e compromisso com aqueles que sustentam diariamente o funcionamento do sistema de saúde.
* Merielly Cristina Nantes é enfermeira, empreendedora e presidente da Câmara Setorial Temática da Enfermagem da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT).































