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Desejo de amamentar no futuro não impede cirurgia mamária, mas exige planejamento

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Agosto Dourado 💛🤰

Técnica utilizada, tipo de procedimento e planos de gestação estão entre os fatores que devem ser considerados antes de uma cirurgia nas mamas


“Se eu colocar silicone agora, vou conseguir amamentar quando tiver filhos?” A dúvida é comum entre mulheres que desejam realizar uma cirurgia nas mamas, mas ainda planejam uma gestação. A resposta não é simplesmente “sim” ou “não”. Embora uma cirurgia mamária não signifique, necessariamente, a impossibilidade de amamentar no futuro, o tipo de procedimento e a técnica utilizada podem interferir na capacidade de produção e passagem do leite.

Durante o Agosto Dourado, mês dedicado à conscientização sobre a importância do aleitamento materno, o tema também chama atenção para um aspecto que nem sempre aparece quando uma mulher começa a planejar uma cirurgia plástica: seus projetos de maternidade também precisam entrar na consulta.
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No Brasil, 45,8% das crianças menores de seis meses estavam em aleitamento materno exclusivo, segundo dados do Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (Enani). A recomendação do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde é que, sempre que possível, o bebê receba exclusivamente leite materno nos primeiros seis meses de vida.

O aleitamento também tem impacto importante na saúde infantil. Segundo o Ministério da Saúde, a amamentação pode reduzir em até 13% a mortalidade de crianças menores de cinco anos por causas evitáveis.

Para o cirurgião plástico e mestre em Cirurgia Plástica pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Dr. Vidal Guerreiro, falar sobre uma futura gravidez deve fazer parte do planejamento da cirurgia tanto quanto conversar sobre tamanho, formato ou resultado esperado.

“Quando uma mulher me diz que ainda pretende ser mãe, essa informação é muito importante. A cirurgia não deve ser pensada apenas para o corpo que ela tem hoje, mas também considerando os planos que ela tem para a própria vida. Não se trata de dizer que ela precisa escolher entre fazer uma cirurgia e amamentar. Trata-se de conversar com clareza sobre possibilidades, limitações e sobre qual caminho faz mais sentido para aquele paciente”, explica.

Nem toda cirurgia mamária tem o mesmo impacto
Procedimentos como aumento das mamas com implantes, mastopexia e mamoplastia redutora envolvem abordagens diferentes e, consequentemente, não apresentam o mesmo potencial de interferência na lactação.

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De acordo com o Centers for Disease Control and Prevention (CDC), cirurgias de aumento, levantamento e redução das mamas podem afetar nervos e ductos responsáveis pela lactação. O impacto varia conforme o procedimento e a técnica empregada. A entidade ressalta ainda que muitas mulheres submetidas a cirurgias mamárias conseguem produzir leite, embora nem sempre em quantidade suficiente para suprir integralmente as necessidades do bebê.

No aumento mamário com implantes, por exemplo, aspectos como a posição da prótese e o local utilizado para a incisão fazem parte dessa avaliação. Já a mastopexia e, principalmente, a mamoplastia redutora podem exigir uma remodelação maior do tecido mamário.

“Não existe uma técnica única que sirva para todas as mulheres. Existem anatomias diferentes, cirurgias diferentes e projetos de vida diferentes. Quando sabemos que preservar ao máximo as estruturas relacionadas à amamentação é uma preocupação daquela paciente, isso precisa ser considerado desde o início do planejamento”, afirma Vidal.

Na mamoplastia redutora, esse cuidado ganha atenção especial. A cirurgia envolve retirada de pele e tecido mamário e pode limitar a capacidade futura de amamentação, embora isso não signifique que todas as mulheres submetidas ao procedimento serão incapazes de amamentar.

Gravidez também pode modificar o resultado da cirurgia
Outro ponto que deve ser colocado na balança é que a própria gestação provoca alterações importantes nas mamas, independentemente de a mulher ter passado anteriormente por uma cirurgia plástica.

Mudanças de volume, pele e sustentação podem modificar o resultado obtido com uma prótese, mastopexia ou redução mamária. Por isso, para algumas pacientes, esperar o término dos planos de gestação pode ser a melhor escolha. Para outras, realizar o procedimento antes pode ser possível, desde que elas estejam conscientes de que uma nova cirurgia eventualmente poderá ser desejada após a gravidez.

“Às vezes, a paciente chega acreditando que existe uma regra e que, se pretende engravidar daqui a alguns anos, obrigatoriamente precisa adiar uma cirurgia que deseja fazer hoje. Não é tão simples. O que precisamos avaliar é quanto tempo ela imagina esperar, qual cirurgia será realizada, sua anatomia e o quanto ela está confortável com a possibilidade de as mamas mudarem novamente depois de uma gestação”, explica o cirurgião.

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A gravidez após uma mastopexia, por exemplo, é possível, mas as modificações provocadas pela gestação podem alterar o resultado estético da cirurgia e levar à necessidade ou ao desejo de uma revisão posteriormente.

Cirurgia anterior exige atenção durante a amamentação
Para mulheres que já realizaram uma cirurgia mamária e depois engravidaram, o histórico do procedimento deve ser informado ao obstetra e aos profissionais que acompanharão a amamentação.

Isso porque conseguir iniciar a amamentação não significa, necessariamente, que haverá produção suficiente de leite para atender integralmente às necessidades do bebê. O acompanhamento do ganho de peso da criança e da produção de leite permite identificar precocemente dificuldades e oferecer suporte quando necessário. O CDC recomenda acompanhamento especialmente cuidadoso dos bebês de mães que passaram por cirurgia mamária.

Vidal ressalta que a existência de uma cirurgia prévia não deve ser motivo para a mulher iniciar a maternidade acreditando que não conseguirá amamentar.

“Uma cirurgia no passado não deve virar uma sentença para aquela mulher. Ela precisa saber que pode existir alguma dificuldade, dependendo do procedimento que realizou, mas também precisa ter a oportunidade de tentar, ser acompanhada e receber suporte. É muito diferente chegar à gestação com informação e uma rede preparada para ajudá-la do que carregar antecipadamente a ideia de que não será capaz de amamentar”, afirma.

Já quando a mulher está amamentando naquele momento, o cenário é diferente. Cirurgias mamárias eletivas devem ser discutidas para depois do encerramento da lactação e da estabilização das mamas, uma vez que o tecido continua sofrendo alterações durante e após esse período. Para o especialista, a principal mensagem do Agosto Dourado para mulheres que pensam em realizar uma cirurgia mamária é justamente a importância da informação.

“A paciente não precisa entrar no consultório já tendo escolhido entre uma coisa e outra. Ela pode chegar com suas dúvidas, contar seus planos e entender o que cada decisão representa. Uma cirurgia bem indicada começa muito antes do centro cirúrgico. Começa quando conseguimos ouvir o que aquela mulher espera para o corpo dela hoje e também o que ela deseja viver no futuro”, conclui. 

HF Comunicação Estratégica
Atendimento à Imprensa:
Marianne Mariano

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