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SETEMBRO AMARELO; Saúde mental no trabalho exige atenção aos sinais de sobrecarga e adoecimento

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Especialistas do Viver Bem da Unimed Cuiabá orientam sobre sinais de sofrimento psíquico, prevenção e impactos das novas tecnologias no ambiente profissional

A rotina profissional pode envolver cobranças, prazos, mudanças constantes e jornadas intensas. Quando esses fatores se tornam frequentes e ultrapassam a capacidade de adaptação do trabalhador, podem contribuir para o surgimento ou agravamento de problemas de saúde mental.

Dados da pesquisa do projeto Data Cajuína apontam que, entre janeiro e junho de 2026, foram registrados 232.382 afastamentos do trabalho por transtornos mentais no Brasil. No mesmo período de 2025, foram 267.690, uma redução de 13,2%. Apesar da queda, o tema continua exigindo atenção. Em 2025, foram registrados mais de meio milhão de afastamentos de trabalhadores por transtornos mentais no país.

Para a psiquiatra do Viver Bem, Dra. Viviane Idaló, a sobrecarga, o excesso de pressão, as jornadas extensas, a dificuldade de conciliar vida pessoal e profissional e a adaptação constante às novas tecnologias estão entre os fatores que podem aumentar o estresse no ambiente de trabalho.

“É fundamental entender que a saúde mental não depende apenas do indivíduo. A organização e as condições de trabalho também podem influenciar o bem-estar psíquico. Reconhecer os riscos psicossociais permite identificar fatores de risco, fortalecer a prevenção e criar ambientes de trabalho mais saudáveis”, explica.

Estresse além do cotidiano
Sentir estresse, ansiedade ou tristeza diante de situações difíceis faz parte da experiência humana. O sinal de alerta aparece quando esses sentimentos se tornam intensos ou persistentes e começam a interferir no sono, no trabalho, nos relacionamentos e na rotina.

“Nesses casos, é importante buscar uma avaliação profissional para compreender o que está acontecendo e identificar a necessidade de acompanhamento”, orienta Dra. Viviane.

A especialista também chama atenção para os impactos da tecnologia. Ferramentas como a inteligência artificial podem reduzir tarefas repetitivas e apoiar profissionais, mas seu uso inadequado também pode aumentar a pressão por produtividade, a sensação de vigilância e o medo de substituição.

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Segundo Dra. Viviane, os avanços da psiquiatria também têm ampliado as possibilidades de cuidado, com novas estratégias terapêuticas, psicofarmacologia, neuromodulação, ferramentas digitais, teleconsulta e pesquisas em áreas como genética e farmacogenética.

“O princípio fundamental é que a tecnologia deve complementar – e não substituir – o cuidado médico e a relação terapêutica”, afirma.

Psicoterapia e cuidado integrado
A psicoterapia também é uma importante ferramenta de cuidado. A psicóloga do Viver Bem, Dara Luiza, explica que a área acompanha novas pesquisas e busca considerar as necessidades individuais de cada paciente. Entre as abordagens com evidências científicas está a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), além de outras linhas contemporâneas.

“Hoje, não se trata apenas de intervir quando a pessoa já está em sofrimento intenso, mas também de trabalhar prevenção, promoção da saúde, desenvolvimento de habilidades emocionais e identificação precoce de sinais de sofrimento”, destaca.

Em determinadas situações, a psicoterapia pode integrar um acompanhamento multidisciplinar com Psiquiatria, Enfermagem, Nutrição, atividade física e outros profissionais.

Atenção aos sinais
Um ambiente de trabalho prejudicial à saúde mental não é definido necessariamente por um dia difícil, uma cobrança pontual ou um conflito isolado. O alerta está na frequência e na intensidade dessas situações e nos impactos que elas provocam.

Humilhações, desrespeito, ameaças, cobranças desproporcionais, conflitos constantes e uma rotina de tensão contínua são alguns dos fatores que merecem atenção. Entre os possíveis sinais de sofrimento estão alterações no sono, irritabilidade, ansiedade, dificuldade de concentração, desânimo e sensação persistente de esgotamento.

A psicóloga também destaca que nem sempre deixar o emprego é uma possibilidade imediata. O trabalho está relacionado à renda, à segurança financeira e ao sustento familiar. Por isso, quando não é possível se afastar daquele ambiente, é importante buscar estratégias para reduzir os impactos e construir alternativas.

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“Na Psicologia, podemos ajudar a pessoa a compreender o que está acontecendo, reconhecer os impactos daquela situação e diferenciar aquilo que está sob seu controle daquilo que não está”, explica Dara.

Saúde mental também é prevenção
A discussão sobre saúde mental no trabalho ganhou ainda mais espaço com a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1). Desde 26 de maio de 2026, os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho passaram a ser incluídos expressamente no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), reforçando a necessidade de que as organizações identifiquem e adotem medidas de prevenção para situações que possam afetar a saúde dos trabalhadores.

Em 2026, o próprio Ministério do Trabalho e Emprego definiu como tema da Campanha Nacional de Prevenção de Acidentes do Trabalho (CANPAT) a “Prevenção dos Riscos Psicossociais no Trabalho”, ampliando o debate sobre ambientes profissionais mais seguros e saudáveis.

O tema também ganha destaque em setembro, mês marcado pelo Setembro Amarelo, campanha de conscientização sobre a prevenção do suicídio.

Viver Bem
A Unimed Cuiabá oferece programas voltados à promoção da saúde e ao cuidado integral por meio do Viver Bem, entre eles o Mente Saudável e o Empresa Saudável. As iniciativas buscam promover hábitos saudáveis, reduzir fatores de risco, prevenir doenças e contribuir para a qualidade de vida dos beneficiários.

Os programas contam com equipe interdisciplinar formada por médicos, psicólogos, nutricionistas, enfermeiros, técnicos de enfermagem, fisioterapeutas, entre outros profissionais, de acordo com a necessidade de cada pessoa.

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