Condição pode atingir pessoas de todas as idades e, sem acompanhamento, representar risco à vida
O coração humano é uma máquina precisa — e qualquer alteração no seu ritmo pode ser sinal de alerta. As arritmias cardíacas, que ocorrem quando o coração bate rápido demais, devagar demais ou de forma irregular, estão entre as condições que mais merecem atenção da população. Em muitos casos, podem ser leves, mas algumas representam risco à vida e estão relacionadas à morte súbita, um evento inesperado que atinge centenas de milhares de pessoas todos os anos.
O Dia Nacional de Prevenção das Arritmias Cardíacas e da Morte Súbita, celebrado em 12 de novembro, tem o objetivo de chamar atenção para a importância do diagnóstico precoce e dos cuidados preventivos. De acordo com o cardiologista intensivista do Hospital São Mateus, Sandro Andrey Nogueira Franco, identificar os sinais e procurar avaliação médica é fundamental para evitar complicações graves.
“As arritmias são alterações no ritmo cardíaco que podem deixar o coração muito acelerado, com frequência acima de 140 batimentos por minuto, ou muito lento, abaixo de 40. Há também ritmos irregulares e falhas entre os batimentos. Algumas são benignas, mas outras podem causar desmaios, insuficiência cardíaca ou até morte súbita”, explica o especialista.
Entre as arritmias mais comuns, o médico destaca a fibrilação atrial, responsável por grande parte dos casos. Trata-se de um ritmo irregular que faz o coração perder o controle da frequência dos batimentos, geralmente surgindo em crises. A maioria das mortes súbitas é provocada por arritmias graves, muitas vezes relacionadas a doenças coronarianas e obstruções nas artérias do coração, que podem levar a infartos.
Jovens e atletas
Embora o problema seja mais frequente entre pessoas com doenças cardíacas, o médico alerta que as arritmias também podem ocorrer em corações aparentemente saudáveis, inclusive em jovens e atletas. “Existem formas genéticas e funcionais que podem se manifestar após esforço físico intenso ou situações de estresse. Por isso, é essencial valorizar os sintomas e não adiar a consulta com o cardiologista”, orienta Franco.
Entre os principais sinais de alerta, estão palpitações, batimentos acelerados, sensação de falha no coração, tonturas, desmaios, falta de ar e fraqueza repentina. No entanto, há casos em que as arritmias são silenciosas e só podem ser descobertas em exames de rotina. O diagnóstico pode ser feito por meio de eletrocardiograma, teste de esforço ou Holter de 24 horas — exame que monitora a atividade elétrica do coração durante um dia inteiro.
O tratamento varia conforme o tipo e a gravidade da arritmia. Pode incluir o uso de medicamentos, procedimentos de ablação por cateter ou o implante de marcapassos e cardiodesfibriladores, indicados nos casos mais graves. “O marcapasso é usado quando os batimentos são muito lentos, enquanto o desfibrilador é indicado para arritmias ventriculares malignas que podem causar morte súbita”, explica o cardiologista.
Prevenção
A melhor estratégia é a prevenção. Manter hábitos saudáveis — como alimentação equilibrada, prática regular de exercícios, controle do peso, cessação do tabagismo e moderação no consumo de álcool — é essencial para reduzir os riscos. Além disso, quem tem pressão alta, diabetes, colesterol elevado ou histórico familiar de doenças cardíacas deve manter acompanhamento médico regular.
Ficar atento aos sinais do corpo é a principal forma de proteção. Tontura, palpitações e mal-estar inexplicável merecem investigação. Um simples check-up cardiológico pode salvar vidas.
“Cuidar do coração é um gesto de amor à vida. A avaliação médica preventiva continua sendo a maneira mais eficaz de manter o coração batendo no ritmo certo — e de garantir que ele continue pulsando por muitos anos” ressalta Sandro Andrey Nogueira Franco.































