Pesquisa nacional da Vantive Brasil revela que cerca de 60% da população nunca ouviu falar da diálise peritoneal – modalidade domiciliar que oferece mais qualidade de vida e pode aliviar a pressão sobre o sistema público de saúde
São Paulo, agosto de 2026 – No Dia Nacional da Diálise (27 de agosto), o avanço das doenças renais no Brasil traz um alerta urgente para a saúde pública. Segundo o Censo Brasileiro de Diálise 2024, da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), mais de 172 mil brasileiros dependem de tratamento dialítico para sobreviver – um crescimento de quase 10% em relação ao ano anterior e de 55% na última década[1]. Cerca de 79% desses pacientes realizam o tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS)1.
Apesar do expressivo número de diagnósticos, a população ainda enfrenta falta de informação e medo em relação à saúde renal e às formas de tratamento. É o que revela uma recente pesquisa nacional promovida pela Vantive Brasil com 2.000 entrevistados: 67,7% dos brasileiros admitem adiar exames preventivos, enquanto 59,5% nunca ouviram falar em diálise peritoneal[2] – uma das principais alternativas à hemodiálise tradicional.
Entenda a diálise
A Doença Renal Crônica (DRC) progride de forma silenciosa e muitas vezes assintomática nas fases iniciais. Quando os rins perdem a capacidade de filtrar o sangue e eliminar toxinas e excesso de líquidos, a chamada Terapia Renal Substitutiva (TRS) torna-se indispensável para a manutenção da vida.
Existem duas modalidades principais de diálise:
- Hemodiálise (HD): É o padrão predominantemente utilizado no Brasil, abrangendo 87,3%1 dos pacientes em diálise. O procedimento é realizado em clínicas especializadas ou hospitais, onde o paciente fica conectado a uma máquina por cerca de quatro horas, três vezes por semana. Por ser um processo extracorpóreo de filtragem rápida do sangue, pode gerar complicações como risco de infecções, desgaste cardiovascular e a chamada “síndrome pós-diálise” (fadiga e fraqueza intensa após as sessões).
- Diálise Peritoneal (DP): Modalidade realizada no próprio domicílio do paciente, frequentemente à noite, enquanto ele dorme, com o auxílio de uma máquina cicladora. O tratamento utiliza o peritônio (membrana natural que reveste a cavidade abdominal) para filtrar o sangue diariamente.
Os benefícios da Diálise Peritoneal
Embora seja amplamente consolidada internacionalmente – representando 20% dos casos no mundo[3], 15% nos EUA[4] e 50% no México[5],[6] –, a diálise peritoneal é utilizada por apenas 5,6% dos pacientes no Brasil (cerca de 7 mil pessoas)1. O número está distante da meta de 20% estabelecida por Portaria do Ministério da Saúde desde 2011[7].
Do ponto de vista clínico, ambas as modalidades possuem eficácia equivalente na filtragem do sangue, mas a diálise peritoneal se destaca pelos ganhos em qualidade de vida e autonomia:
- Preservação da rotina: Por ser realizada em casa (geralmente durante o sono), permite que o paciente mantenha suas atividades profissionais, de estudo, sociais e viagens.
- Menor impacto físico: Evita a “ressaca” ou indisposição associada às sessões de hemodiálise em clínica.
- Estratégia para o SUS: Exige infraestrutura hospitalar simplificada, reduz deslocamentos frequentes e ajuda a aliviar filas e sobrecarga nos centros de hemodiálise e leitos de UTI.
- Acesso garantido no SUS e na Saúde Suplementar: A diálise peritoneal é totalmente oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e integra o Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS)[8], o que assegura a sua cobertura obrigatória para todos os beneficiários de planos de saúde no Brasil.
“Em um cenário ideal, o diagnóstico precoce permite ao paciente e ao nefrologista planejarem juntos a terapia mais adequada. A diálise peritoneal oferece flexibilidade e independência, permitindo que a pessoa siga sua vida ativa. Além disso, no sistema público, descentralizar o tratamento e fortalecer a opção domiciliar é fundamental para otimizar recursos e ampliar o acesso”, destaca o nefrologista Dr. Paulo Lins, gerente médico da Vantive Brasil.
Barreiras para o diagnóstico: medo, custo e desconhecimento do risco
A pesquisa da Vantive Brasil aponta que o comportamento procrastinador e o desconhecimento travam a prevenção e o diagnóstico precoce da doença renal:
- Medo do diagnóstico: Quando questionados sobre seus maiores receios de saúde, 60,6% citaram o medo de descobrir algo grave, superando o temor de não ter dinheiro para o tratamento (50,5%) e de perder a independência (30,9%)2.
- Gargalos de acesso: Entre os que adiam exames preventivos, as principais razões apontadas foram custo/falta de dinheiro (31,9%) e falta de tempo (28,3%). O fator financeiro torna-se ainda mais crítico na terceira idade: afeta 56,3% dos entrevistados com mais de 65 anos2.
- Baixa percepção de risco: Apenas 15,4% dos brasileiros consideram ter risco alto ou muito alto de desenvolver doença renal, e 20,3% nem sequer sabem avaliar seu próprio risco, embora 39,1% sejam sedentários e 53,3% admitam não ingerir a quantidade adequada de água2.
- Desconhecimento dos tratamentos: Enquanto 93,4% da população conhece a hemodiálise, apenas 9,8% afirmam conhecer bem a diálise peritoneal2.
“Os dados mostram que o brasileiro muitas vezes posterga o cuidado por medo do diagnóstico ou por considerar que está saudável, já que os rins não doem nas fases iniciais. O grande desafio da saúde renal é transformar o medo em ação preventiva e levar informação clara para que o paciente participe ativamente das decisões sobre o seu tratamento”, reforça a Dra. Arcângela Valle, gerente médica sênior da Vantive Latam.
Fatores de risco e a importância do rastreamento
Condições de alta prevalência no país são os principais gatilhos para a doença renal crônica: na pesquisa, 26,5% relataram diagnóstico de hipertensão arterial, 25,3% infecção urinária e 15,7% histórico familiar de doença renal. Entre as pessoas sedentárias, a incidência relatada de problemas nos rins foi de 8,8%, contra 5,4% entre praticantes de atividades físicas2.
Neste Dia Nacional da Diálise, especialistas ressaltam que a medição periódica da creatinina no sangue e o exame de urina – testes simples e acessíveis na rede pública – são as ferramentas mais eficazes para identificar alterações renais precocemente, antes que a terapia substitutiva se torne emergencial.
Metodologia da Pesquisa Vantive Brasil
O levantamento foi realizado online pela empresa independente Brazil Panels, em março de 2026, com 2.000 entrevistados de todas as regiões do Brasil, cobrindo diferentes faixas etárias e classes socioeconômicas. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
Sobre a Vantive
A Vantive é uma empresa de terapias para órgãos vitais com a missão de prolongar vidas e ampliar possibilidades para pacientes e equipes de saúde em todo o mundo. Há 70 anos, nossa equipe impulsiona inovações significativas em cuidados renais. Hoje, pacientes em mais de 100 países interagem diariamente – 1 milhão de vezes – com as pessoas, soluções e serviços da Vantive. Com base nesse legado, estamos aprofundando nosso compromisso em aprimorar a experiência da diálise por meio de soluções digitais e serviços avançados, ao mesmo tempo em que olhamos além dos cuidados renais para transformar terapias de órgãos vitais. Mais flexibilidade e eficiência na gestão da terapia para as equipes de saúde e vidas mais longas e plenas para os pacientes – é isso que a Vantive busca oferecer. Para saber mais, acesse www.vantive.com.
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Referências
[1] SOCIEDADE BRASILEIRA DE NEFROLOGIA. Censo Brasileiro de Diálise 2024. São Paulo: SBN, 2024. Disponível em: Link. Acesso em: 14 ago. 2026.
[2] BRAZIL PANELS. Pesquisa de percepção, comportamento e atitudes da população brasileira sobre a saúde dos rins, prevenção e exames preventivos. São Paulo: Vantive Brasil, mar. 2026. Relatório de pesquisa quantitativa de opinião pública.
[3] GBD CHRONIC KIDNEY DISEASE COLLABORATORS. Global, regional, and national burden of chronic kidney disease, 1990–2023: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2023. The Lancet, London, v. 406, n. 10515, p. 1821-1838, 7 Nov. 2025.
[4] UNITED STATES RENAL DATA SYSTEM. 2024 USRDS Annual Data Report: Epidemiology of kidney disease in the United States. Bethesda: National Institutes of Health, National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases, 2024.
[5] INTERNATIONAL SOCIETY OF NEPHROLOGY. ISN Global Kidney Health Atlas: a report by the International Society of Nephrology on the global burden of end-stage kidney disease and capacity for kidney replacement therapy and conservative kidney care worldwide. 3. ed. Brussels: ISN, 2023. Disponível em: Link. Acesso em: 14 ago. 2026.
[6] SOCIEDAD LATINOAMERICANA DE NEFROLOGÍA E HIPERTENSIÓN. Registro Latinoamericano de Diálisis y Trasplante Renal: informe epidemiológico sobre el tratamiento sustitutivo renal en América Latina. Panamá: SLANH, 2023.
[7] BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 1.168, de 15 de junho de 2011. Institui a Política Nacional de Atenção à Saúde Renal e dá outras providências. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, n. 115, p. 57, 16 jun. 2011.
[8] BRASIL. Agência Nacional de Saúde Suplementar. Rol de Eventos e Procedimentos em Saúde: Resolução Normativa e atualizações. Rio de Janeiro: ANS, 2024. Disponível em: Link. Acesso em: 14 ago. 2026.






























