Dr. Walid Khalil
Médico e candidato a Deputado Estadual pelo NOVO
Na segunda-feira, 17 de agosto de 2026, Cuiabá registrou umidade relativa do ar de apenas 11%, o menor índice entre as estações meteorológicas monitoradas pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) naquele dia, posição dividida com Porto Estrela. A capital chegou a 40,2°C, enquanto Santo Antônio de Leverger atingiu 40,4°C. Uma semana antes, Cuiabá já havia registrado 40,2°C. Esses números mostram a intensidade das condições climáticas enfrentadas por Mato Grosso e reforçam que calor extremo e baixa umidade também precisam ser tratados como questões de saúde pública.
Como médico, vejo esse cenário com preocupação. Temperaturas próximas ou superiores a 40°C, combinadas com umidade extremamente baixa, submetem o organismo a uma sobrecarga importante. A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que o calor extremo pode agravar doenças cardiovasculares, respiratórias, renais, metabólicas e neurológicas, além de aumentar os riscos de desidratação, exaustão pelo calor e insolação. Crianças, idosos, gestantes, pessoas com doenças crônicas e trabalhadores expostos ao calor exigem atenção especial.
O ar excessivamente seco também compromete a proteção natural das vias respiratórias, favorecendo irritações, sangramento nasal, rinite, sinusite, crises de asma e agravamento de doenças respiratórias. Em Mato Grosso, soma-se a isso o problema das queimadas. A baixa umidade facilita a propagação dos incêndios, enquanto a fumaça aumenta a presença de partículas e poluentes na atmosfera. Por isso, prevenir queimadas também significa prevenir doenças. Monitoramento, fiscalização, educação ambiental, brigadas e resposta rápida aos focos de incêndio são medidas de proteção ambiental e de saúde pública.
Os cuidados individuais são fundamentais: beber água regularmente, evitar exposição excessiva ao sol nos horários mais quentes e redobrar a atenção com crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas. Mas, quando milhares de pessoas enfrentam as mesmas condições ambientais, a resposta não pode depender apenas de atitudes individuais. É preciso planejamento público.
É nesse ponto que minha experiência médica se encontra com a decisão de colocar meu nome à disposição como candidato a deputado estadual pelo NOVO. Levo para a vida pública uma convicção construída ao longo dos anos na medicina: uma política eficiente de saúde não deve agir apenas quando a doença já se instalou. É preciso antecipar riscos e atuar também sobre os fatores que fazem as pessoas adoecerem.
Uma dessas respostas está na forma como planejamos nossas cidades. A arborização oferece sombra, melhora o conforto térmico e ajuda a reduzir a temperatura das áreas urbanas. Em Cuiabá, Várzea Grande e outros municípios submetidos ao calor intenso, políticas permanentes de arborização, recuperação de áreas verdes e ampliação de parques podem ser importantes instrumentos de adaptação. Se eleito deputado estadual, pretendo levar esse debate à Assembleia Legislativa e incentivar políticas que integrem saúde, meio ambiente, planejamento urbano e qualidade de vida.
Mato Grosso também precisa se preparar de maneira estruturada para os períodos críticos de calor e baixa umidade. A OMS recomenda Planos de Ação para Calor e Saúde, com sistemas de alerta, identificação das populações vulneráveis, comunicação preventiva e preparação dos serviços de saúde. Essa experiência pode ser adaptada à nossa realidade por meio de um Plano Estadual de Prevenção e Resposta aos Eventos de Calor Extremo e Baixa Umidade, articulando saúde, defesa civil, meio ambiente, educação, assistência social e trabalho.
Esse planejamento pode incluir alertas à população, campanhas preventivas, protocolos para hospitais e unidades básicas de saúde, orientações às escolas e medidas de proteção aos trabalhadores expostos ao calor. Dados meteorológicos e epidemiológicos também podem ajudar a antecipar a demanda da rede pública, organizar estoques, dimensionar equipes e identificar regiões e grupos mais vulneráveis. Se sabemos que determinados períodos trazem maior risco de doenças respiratórias, desidratação e complicações cardiovasculares, podemos preparar o sistema antes que a demanda aumente.
Idosos, crianças, gestantes, trabalhadores expostos ao sol, pessoas em situação de vulnerabilidade social e pacientes com doenças preexistentes precisam de atenção diferenciada. As escolas também devem fazer parte desse planejamento, com oferta adequada de água potável, áreas sombreadas e cuidados específicos com atividades físicas nos dias de temperaturas extremas.
Depois de muitos anos exercendo a medicina, uma constatação se torna cada vez mais clara: muitos problemas que chegam à porta do hospital poderiam ter sido evitados ou minimizados antes. É essa perspectiva que quero levar para a atuação política. Como candidato a deputado estadual pelo NOVO, quero contribuir para que as decisões sobre saúde em Mato Grosso sejam cada vez mais orientadas por evidências, prevenção, planejamento e resultados.
O deputado estadual não administra hospitais nem executa diretamente programas do Poder Executivo, mas pode propor legislação dentro de sua competência, fiscalizar políticas e gastos públicos, acompanhar indicadores, participar da discussão orçamentária e articular soluções com o Estado e os municípios. É nesse espaço que pretendo atuar.
Quando Mato Grosso registra temperaturas acima dos 40°C e umidade relativa do ar de apenas 11%, não estamos diante apenas de uma informação meteorológica. Estamos diante de um alerta que precisa ser transformado em prevenção, planejamento e política pública. Como médico, minha prioridade é cuidar das pessoas. Como candidato a deputado estadual pelo NOVO, quero colocar a experiência da medicina a serviço de iniciativas que ajudem Mato Grosso a se preparar melhor, proteger os mais vulneráveis e agir antes que a emergência chegue à porta do hospital.
Fontes e referências: Instituto Nacional de Meteorologia (INMET)




























