O tempo de estiagem se aproxima e cresce a preocupação para todos nós, mato-grossenses. É neste período também que aumentam os números de queimadas e, consequentemente, agravamento na saúde da população, em especial crianças e idosos, que mais sofrem com problemas respiratórios. Neste contexto, além das ações de combate aos incêndios protagonizadas por nossos bombeiros, é fundamental que se dissemine a importância da gestão do fogo.
São várias as ações possíveis para isso, mas a mais comum e talvez mais eficaz é a construção de aceiros. Trata-se de faixas limpas de vegetação, com manutenção regular, para evitar o acúmulo de materiais que possam alimentar o fogo, como folhas secas e galhos.
O aceiro serve como uma proteção para florestas, plantações e áreas de preservação. Se as ações de prevenção a incêndios falharem em algum momento e o fogo surgir, os aceiros têm por objetivo impedir que ele chegue às florestas, áreas de preservação e plantações. Ele age como uma barreira.
Embora simples, requer cuidado. Existem parâmetros técnicos sobre sua largura, a depender da área a ser protegida. Em áreas agrícolas, por exemplo, recomenda-se um aceiro com largura mínima de 3 a 5 metros. Quando o fogo chega a este lugar, não encontra combustível para continuar queimando e avançando, facilitando seu controle e extermínio.
Porém, importante destacar que o aceiro não pode ser visto como solução, mas ferramenta de combate. Detectar precocemente os incêndios e agir para combatê-los de forma estratégica e organizada é fundamental para seu extermínio.
Para este período, não bastam as boas intenções. O produtor precisa desde já planejar as ações, os recursos a serem empregados, treinamento dos profissionais que atuarão nesse combate, a comunicação a ser exercida durante o período. Como uma sinfonia, a gestão do fogo precisa estar em harmonia para ser exitosa. Afinal, sem essa organização, o que seria a solução, pode se tornar um problema.
Essa organização permitirá a tomada de decisões eficazes. Sim! No momento que o incêndio surgir, não basta enviar todos os homens para jogar água. É preciso avaliar, refletir, ponderar os aspectos do incêndio e determinar a estratégia que será adotada. Erros comuns, como subestimar a gravidade de um incêndio ou não evacuar as áreas a tempo, por exemplo, pode resultar em danos maiores e até mesmo custar vidas.
A gestão do fogo não é feita apenas de aceiros, mas deve ser encarada como algo permanente e preventivo, a ser trabalhado por todo o ano. Períodos com menos ocorrência de incêndio permite a capacitação da equipe, o planejamento das ações e ajustes na ação a ser implementada.
Do poder público, espera-se que haja pesquisas, disponibilização de dados atualizados e campanhas de conscientização. A ação humana ainda é responsável por parte significativa dos incêndios e reverter esse cenário é primordial.
O fogo pode ser um grande aliado ao ecossistema, principalmente no Cerrado, presente em nosso estado. Mas também pode causar catástrofes, quando não gerido.
Grandes incêndios destroem lavouras, florestas, áreas de preservação. Incineram não só a flora, mas a fauna também, como a grande tragédia que se abateu no Pantanal mato-grossense nos últimos anos. Além de destruir a natureza, sua fumaça é trazida pelos ventos para a cidade, poluindo nosso ar e nos levando aos hospitais, podendo causar até mesmo a morte.
Gestão do fogo é assunto sério e deve ser tratado como tal!
EDSON MENDES é engenheiro florestal de Mato Grosso e suplente deputado estadual do PL. Fundador do escritório Mendes & Freitas, Edson é um dos consultores mais requisitados do país. Sua empresa atende a grandes grupos, todos voltados ao ramo da agropecuária, com o cuidado que o meio ambiente

































