Documento reforça urgência na apresentação das NDCs, destaca financiamento climático e anuncia consultas internacionais para preparar o caminho das negociações em Belém
O presidente da COP 30, embaixador André Aranha Corrêa do Lago, fala durante treinamento para novas lideranças climáticas promovido pelo Climate Reality Project, organização sem fins lucrativos de ação climática, no hotel o Windsor Oceânico, na Barra da Tijuca. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
“Ao cruzarmos a marca dos 100 dias antes da COP30, cerca de quatro quintos (4/5) dos membros do Acordo de Paris ainda não apresentaram novas NDCs para 2035. As Partes sabem como é importante que a UNFCCC receba as NDCs a tempo de serem refletidas no relatório de síntese. Nenhuma ação é demonstração mais forte de compromisso com o multilateralismo e com o regime climático do que as NDCs que nossos países apresentam como determinação nacional de contribuir para o Acordo de Paris”, aponta o trecho da sexta carta.
A expectativa é que os países que ainda não realizaram a apresentação das NDCs as divulguem até o dia 24 de setembro de 2025, em evento que deve ser organizado pelo Secretário-Geral das Nações Unidas.
A carta destaca que apesar dos resultados da SB62 não tenham sido ideais, os diálogos aceleraram os resultados do trabalho entre as sessões dos Órgãos Subsidiários e a posterior consideração formal pela COP, pela Reunião das Partes do Protocolo de Quioto (CMP) e pela Reunião das Partes do Acordo de Paris (CMA). “[…] a SB62 enviou sinais claros do compromisso inabalável de todas as Partes com o multilateralismo e com o regime de mudança do clima que construímos juntos desde que nossa Convenção foi aberta a assinatura há 33 anos”.
O documento também ressalta a importância do financiamento climático e da aceleração da transição energética justa, com foco em triplicar a capacidade global de energias renováveis, dobrar a eficiência energética e reduzir gradualmente o uso de combustíveis fósseis.
“Num contexto em que a urgência climática interage com desafios geopolíticos e socioeconômicos crescentes, a Presidência da COP30 espera que, de agora até novembro, continuemos a ser guiados por três prioridades interligadas: (1) reforçar o multilateralismo e o regime de mudança do clima no âmbito da UNFCCC; (2) conectar o regime de mudança do clima à vida real das pessoas; e (3) acelerar a implementação do Acordo de Paris, estimulando a ação e os ajustes estruturais em todas as instituições que podem contribuir para isso”, destacou trecho da carta.
Dando sequência, a carta anuncia o lançamento das chamadas “Consultas da Presidência da COP30”, que devem ocorrer no período entre as sessões dos Órgãos Subsidiários, em parceria com a Presidência da COP29 e os presidentes do SBSTA e do SBI. O objetivo é antecipar debates que poderiam se concentrar apenas durante as duas semanas da conferência em Belém, garantindo maior transparência e previsibilidade no processo. Segundo Corrêa do Lago, essas consultas, já testadas em COPs anteriores, têm se mostrado eficazes para destravar impasses técnicos e avançar em questões de alto peso político. A primeira rodada acontecerá no dia 25 de setembro, em Nova Iorque, à margem da Assembleia Geral da ONU, seguida de outra no dia 15 de outubro, em Brasília, após a reunião ministerial da Pré-COP. A expectativa da Presidência é que os encontros permitam alinhar posições e reduzir o risco de bloqueios, assegurando um início ágil das negociações em novembro.
Por fim, Corrêa do Lago conclui o documento convocando os países a se unirem em torno de um objetivo comum: “Vamos trabalhar em conjunto, no espírito do Mutirão Global, para garantir que a COP30 seja lembrada como o momento em que o mundo escolheu a unidade em vez da divisão, a ação em vez da procrastinação e o legado em vez da inércia – mudando por escolha, juntos”.
Karina Pinheiro
Jornalista formada pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM), possui interesse na área científica e ambiental, com experiência na área há mais de 2 anos. →





























