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Empresas podem liderar o cumprimento do ODS 6

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Lívia Baldo*

Em 2026, completamos uma década de vigência dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, compromisso do qual o Brasil é signatário. Com a proximidade do encerramento da Agenda 2030, restam pouco mais de quatro anos para que alcancemos as metas estabelecidas. Esse cronograma expõe um desafio: a necessidade de acelerar drasticamente o ritmo de implementação para compensar o avanço insuficiente observado até o momento.

 

Dentre os ODS nos quais nosso País está deficitário, um dos mais relevantes é o número 6, dedicado à água potável e ao saneamento básico. Ele está diretamente relacionado à saúde pública, qualidade ambiental, agenda climática, além da produção industrial, da agricultura e energética. Sem segurança hídrica jamais haverá desenvolvimento sustentável.

 

As avaliações do Grupo de Trabalho da Sociedade Civil para a Agenda 2030 mostram que o Brasil continua atrasado justamente nos pontos mais críticos desse objetivo. Embora existam avanços na ampliação do acesso à água potável, a universalização da coleta e do tratamento de esgoto, a recuperação da qualidade dos rios e mananciais e a redução da poluição hídrica caminham em velocidade muito inferior à necessária.

 

O conjunto das metas do ODS 6 deixa claro que o desafio vai muito além da expansão das redes de abastecimento. É preciso assegurar saneamento adequado, reduzir o lançamento de poluentes nos rios e lagos, ampliar significativamente o tratamento e o reúso dos efluentes, aumentar a eficiência no uso da água, recuperar ecossistemas hídricos e fortalecer uma gestão integrada dos recursos naturais. Em praticamente todas essas frentes, existe um elemento comum: a necessidade premente de impedir que a água retorne degradada ao meio ambiente.

 

É justamente nesse ponto que a participação das empresas, muito além do compliance, torna-se determinante. Nenhuma política pública, por mais robusta que seja, conseguirá cumprir sozinha os compromissos assumidos pelo Brasil se o setor produtivo não assumir seu protagonismo. As organizações que utilizam água em seus processos produtivos e geram efluentes têm uma responsabilidade direta na construção dessa agenda.

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Mais do que cumprir exigências legais e obter licenças ambientais, as empresas precisam incorporar o tratamento de efluentes como parte de sua estratégia de negócios. A água utilizada na produção deve retornar aos rios e mananciais em condições compatíveis com a preservação ambiental. Esse compromisso representa um investimento em sustentabilidade, reputação, eficiência operacional e competitividade.

 

Melhor ainda se, além de serem tratados, os efluentes transformem-se em algo com valor agregado. Resíduos líquidos adequadamente tratados podem retornar aos próprios processos industriais ou ser reutilizados em diversas aplicações como na captação e abastecimento de cidades, substituindo a lógica do desperdício pelo máximo aproveitamento.

 

Um exemplo prático e de grande êxito do impacto dessa gestão eficiente é o trabalho realizado no interior de São Paulo pela Companhia Saneamento de Jundiaí (CSJ). A concessionária, responsável pela construção e operação da Estação de Tratamento de Esgotos de Jundiaí (ETE Jundiaí), promove o tratamento em larga escala do esgoto e de efluentes gerados na região. Graças a décadas de trabalho, o Rio Jundiaí tornou-se o primeiro do Brasil a melhorar oficialmente o seu índice de despoluição. Resultados como esse comprovam que os danos ambientais são reversíveis quando há investimento, planejamento e visão de longo prazo.

 

Nem todas as empresas dominam internamente esses processos, e não há problema algum nisso. O mais importante é reconhecer que existem organizações com experiência consolidada, soluções inovadoras e capacidade técnica para recolher, tratar e/ou promover a valorização de efluentes adaptados às características de cada atividade econômica. Buscar parceiros qualificados deixou de ser uma decisão operacional para se tornar uma escolha estratégica.

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O investimento em soluções de tratamento e reaproveitamento da água gera benefícios que ultrapassam os limites da própria empresa. Reduz a pressão sobre os recursos hídricos, diminui custos associados ao consumo de água, fortalece a conformidade regulatória, melhora indicadores ESG, amplia a competitividade e contribui diretamente para que o Brasil avance em um dos ODS mais importantes da Agenda 2030.

 

A gestão responsável da água tornou-se um diferencial competitivo em escala global. Investidores, consumidores, financiadores e mercados internacionais observam cada vez mais como as empresas administram seus impactos ambientais. Quem continuar tratando a gestão de efluentes apenas como obrigação regulatória corre o risco de perder espaço em um ambiente de negócios cada vez mais orientado pela sustentabilidade.

 

Ainda há tempo de acelerar o cumprimento do ODS 6, mas ele precisa ser aproveitado com inteligência e senso de responsabilidade. O Brasil dispõe de conhecimento científico, centros de pesquisa, empresas especializadas e tecnologias capazes de transformar um dos seus maiores desafios ambientais em uma oportunidade de inovação e geração de valor.

 

Preservar a água é uma decisão econômica, social e estratégica. E, nesse desafio, as empresas têm a oportunidade de liderar uma transformação, devolvendo à natureza recursos gerados através do reaproveitamento, reinserindo resíduos no ciclo produtivo e demonstrando, na prática, que o crescimento econômico e a integridade ambiental podem caminhar juntos e na mesma direção.
*Lívia Baldo, especialista em gestão de resíduos, é diretora da Tera Ambiental.


Atendimento à imprensa

Ricardo Viveiros & Associados — Oficina de Comunicação
Giovanna Salera – [email protected]

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