Consultoria afirma que reduzir a carga horária sem revisar processos pode elevar despesas com folha, horas extras e contratações, comprometendo ganhos de produtividade
A discussão sobre novos modelos de jornada de trabalho ganhou força nos últimos anos e deixou de ser apenas uma questão trabalhista. Experiências realizadas no Brasil e no exterior mostram que jornadas reduzidas podem manter ou até elevar a produtividade quando acompanhadas de mudanças na gestão e na organização do trabalho.
No “The 4-Day Week Global”, maior projeto-piloto sobre semana de quatro dias realizado no Reino Unido, 92% das empresas participantes decidiram manter o modelo após o período de testes, impulsionadas por resultados positivos em produtividade, retenção de talentos e bem-estar dos colaboradores. Para a APSIS Consultoria, porém, esses resultados não acontecem automaticamente. Empresas que estudam alterar suas escalas precisam avaliar os impactos financeiros e operacionais antes de implementar qualquer mudança.
“A discussão não pode ser reduzida ao número de horas trabalhadas. Antes de qualquer mudança, é preciso entender como o trabalho acontece, onde estão os gargalos e quais atividades efetivamente geram valor para a empresa”, afirma Thiago Lima, Gerente de Consultoria Estratégica da Apsis.
Segundo a consultoria, a revisão dos modelos de trabalho vem sendo impulsionada por fatores como a disputa por talentos, avanços tecnológicos e experiências internacionais que buscam conciliar maior bem-estar dos colaboradores com ganhos de eficiência. No Brasil, as 22 empresas que participaram do projeto-piloto de redução da jornada também registraram melhora nos indicadores de produtividade, comportamento e redução de estresse, reforçando que o sucesso da iniciativa depende menos da quantidade de horas e mais da forma como o trabalho é organizado.
A APSIS observa que os impactos variam conforme o setor. Empresas com operações contínuas, como indústria, comércio, logística e saúde, tendem a enfrentar desafios maiores, já que a redução da jornada individual pode exigir novas contratações ou maior utilização de horas extras para manter o funcionamento das operações.
Já organizações intensivas em conhecimento, como empresas de tecnologia e consultorias, costumam ter maior flexibilidade para testar modelos alternativos, uma vez que o desempenho está mais relacionado às entregas do que ao tempo de permanência no ambiente de trabalho.
Mudança exige planejamento
Na avaliação da consultoria, um dos principais equívocos das empresas é tratar a redução da jornada como uma simples alteração de carga horária, sem analisar a eficiência operacional.
Antes de ampliar equipes, a recomendação é identificar retrabalhos, ociosidades e oportunidades de automação ou reorganização dos processos. Caso contrário, o risco é elevar custos sem produzir ganhos efetivos de produtividade.
Além disso, a APSIS recomenda que a mudança seja incorporada ao planejamento orçamentário como um projeto específico, contemplando diferentes cenários financeiros e operacionais.
“Quando a mudança é tratada apenas como uma obrigação, ela tende a gerar custos maiores do que o previsto. Mas, quando é conduzida como um projeto estruturado, baseado em indicadores e planejamento, pode contribuir para ganhos de produtividade, retenção de talentos e fortalecimento da competitividade da empresa”, conclui Thiago.
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Danthi Comunicação Integrada – Assessoria de Imprensa da Apsis Consultoria
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