Pré-candidato ao Governo do Estado defende foco na gestão dos novos hospitais, ampliação da telemedicina, valorização dos profissionais e modernização da regulação para reduzir filas de espera
A saúde pública de Mato Grosso precisa avançar para uma nova etapa. Essa é a avaliação do empresário e pré-candidato ao Governo do Estado, Alex Pucineli, ao apresentar suas propostas para o setor e analisar os desafios que o próximo gestor estadual deverá enfrentar a partir de 2027.
Para Pucineli, os investimentos realizados nos últimos anos na construção de hospitais e na ampliação da infraestrutura representam um avanço importante. No entanto, ele avalia que o principal desafio daqui para frente será fazer essa estrutura funcionar de forma eficiente e atender melhor a população.
“O próximo governo vai herdar um arcabouço de hospitais muito melhor do que o que foi herdado anteriormente. O desafio não é mais construir hospitais, mas concluí-los e, principalmente, colocá-los para funcionar. Para isso, é preciso gestão”, afirma.
Segundo o pré-candidato, sua experiência como administrador e empresário pode contribuir justamente nessa etapa.
“A infraestrutura está sendo entregue. Agora será necessário fazer a gestão funcionar para que o cidadão receba um atendimento melhor, com menos filas e mais eficiência”, defende.
Uma das propostas defendidas por Pucineli é a ampliação da telemedicina como ferramenta para facilitar o acesso da população aos serviços de saúde, especialmente nas regiões mais distantes.
Ele lembra que Mato Grosso possui grandes extensões territoriais e milhares de pessoas vivendo em áreas rurais afastadas dos centros urbanos.
“Às vezes a pessoa está numa fazenda a cem quilômetros da cidade. Com a telemedicina, ela pode ter um primeiro atendimento, receber orientações e, quando necessário, ser encaminhada rapidamente para uma consulta presencial ou para um hospital”, explica.
Para ele, a ferramenta ajuda a desafogar unidades de saúde, reduz deslocamentos desnecessários e permite que médicos concentrem esforços nos casos que realmente exigem atendimento presencial.
Pucineli destaca ainda que a experiência da pandemia demonstrou que a telemedicina pode funcionar de forma segura e eficiente para muitos atendimentos iniciais.
Outro ponto defendido pelo pré-candidato é a criação de mecanismos para estimular a permanência de médicos recém-formados no interior do estado.
Ele avalia que Mato Grosso forma um número crescente de profissionais, mas ainda enfrenta dificuldades para fixá-los em municípios menores.
“É muito triste para um estado formar profissionais e perdê-los para outras regiões. Precisamos criar programas que incentivem esses médicos a permanecerem em Mato Grosso, especialmente no interior”, afirma.
Entre as alternativas defendidas por Pucineli está a criação de contratos de permanência por período determinado, permitindo que os profissionais iniciem a carreira em cidades menores, adquiram experiência e construam vínculos com a população local.
“O médico passa cinco anos numa cidade, constrói sua trajetória profissional e se torna uma referência naquela região. Isso fortalece a assistência à população e ajuda a reduzir a falta de profissionais no interior”, avalia.
Segundo ele, o fortalecimento da saúde no interior também passa pela criação de melhores condições de trabalho e estrutura adequada para que médicos e demais profissionais possam exercer suas funções com qualidade.
A redução das filas de cirurgias, consultas e exames também aparece entre as prioridades apresentadas por Pucineli.
Na avaliação dele, um dos principais problemas da saúde pública atualmente está na falta de integração entre os sistemas de regulação dos municípios e do Estado.
Atualmente, cada município possui seu próprio processo de encaminhamento, enquanto o Estado administra uma regulação centralizada, o que acaba tornando o fluxo lento e burocrático.
A proposta é criar um sistema único de regulação, alimentado pelos 142 municípios, utilizando tecnologia e inteligência artificial para organizar automaticamente as filas e garantir mais transparência aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS).
“Quando o paciente entra na fila, sua posição precisa ser respeitada. O sistema deve impedir privilégios e garantir que ninguém passe na frente de quem já está aguardando há mais tempo”, defende.
Pucineli também propõe que as filas sejam públicas e acessíveis pela internet.
“Se a pessoa está em 15º lugar, ela deve poder acompanhar a evolução da fila. Isso traz transparência, previsibilidade e mais confiança para o cidadão.”
Para enfrentar o acúmulo de procedimentos, especialmente cirurgias eletivas, o pré-candidato propõe ampliar parcerias com hospitais privados por meio de licitações específicas.
A ideia é contratar lotes de procedimentos para acelerar o atendimento de pacientes que aguardam há anos por cirurgias.
Entre os procedimentos que poderiam ser contemplados estão cirurgias de catarata, câncer de mama e câncer de próstata.
“O Estado pode contratar centenas de procedimentos de uma só vez. Dessa forma, conseguimos reduzir rapidamente a fila de espera e atender pessoas que estão aguardando há muito tempo”, afirma.
Segundo Pucineli, esse modelo pode ajudar o Estado a enfrentar gargalos históricos, principalmente em áreas onde existe demanda acumulada e capacidade ociosa na rede privada.
Um dos temas mais defendidos pelo pré-candidato é a necessidade de ampliar o acesso aos exames diagnósticos, especialmente em casos de suspeita de câncer.
Para ele, o diagnóstico precoce é um dos principais desafios da saúde pública e precisa receber atenção especial dos gestores.
Pucineli avalia que muitos pacientes acabam enfrentando longos períodos de espera para realizar exames fundamentais para a confirmação de doenças, o que pode comprometer o início do tratamento e reduzir as chances de recuperação.
“O desafio da saúde é permanente. As doenças mudam, as necessidades mudam e a gestão precisa acompanhar essa evolução. Os novos hospitais podem ajudar a reduzir gargalos importantes, principalmente nos exames e diagnósticos”, observa.
Na avaliação do pré-candidato, a ampliação da estrutura hospitalar, aliada a uma gestão mais eficiente, poderá contribuir para acelerar o acesso aos exames e aos tratamentos especializados.
Pucineli também defende melhores condições de trabalho e remuneração para médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, fisioterapeutas, psicólogos e demais profissionais da saúde.
Segundo ele, a qualidade do atendimento oferecido à população depende diretamente da valorização de quem atua na linha de frente dos serviços.
“O Estado precisa fazer a sua parte. Os profissionais da saúde dedicam suas vidas ao cuidado das pessoas e merecem condições adequadas para trabalhar e atender a população com qualidade”, afirma.
Como referência, Pucineli defende que Mato Grosso avalie experiências já adotadas em outros estados, como São Paulo, que criou uma tabela própria para complementar os valores pagos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Para ele, iniciativas semelhantes podem tornar os serviços mais atrativos, ampliar a oferta de atendimentos e fortalecer a rede pública de saúde.
Gestão como prioridade – Alex Pucineli reforça que sua principal contribuição para a saúde pública será a experiência em gestão e administração.
Para ele, Mato Grosso já avançou na construção da estrutura física necessária para ampliar o atendimento à população. Agora, o desafio será investir em organização, tecnologia, transparência e eficiência para transformar hospitais, equipamentos e investimentos em resultados concretos para quem depende do SUS.
“Eu acredito que a saúde pode funcionar melhor. Precisamos fazer com que os atendimentos aconteçam dentro da necessidade do cidadão e não da boa vontade do sistema. O foco deve ser atender as pessoas com mais rapidez, mais justiça e mais qualidade”, conclui.





























