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Fundo Brasil vai doar R$ 1 milhão para enfrentamento ao racismo; grupos do Centro-Oeste podem se inscrever

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Grupos que atuam em Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, onde há alto número de mortes de pessoas negras, são incentivados a inscrever projetos até 27 de junho

 

São Paulo, 26 de maio de 2025 – Para enfrentar as históricas e persistentes violações contra os direitos da população negra em todo território nacional, o Fundo Brasil de Direitos Humanos destinará R$1 milhão para apoiar 20 iniciativas de base lideradas por pessoas negras. Coletivos que atuam no Centro-Oeste, onde as estatísticas de violência racial se destacam, podem pleitear apoio do edital, que destinará até R$ 50 mil para cada contemplado.

Esta é a 5ª edição do Edital Enfrentando o Racismo a Partir da Base, que desde 2018 já doou R$4,5 milhões para 85 organizações negras que atuam no combate ao racismo no Brasil. Os aportes serão de até R$50 mil para cada grupo e as inscrições podem ser feitas até as 18h do dia 27 de junho, no site da instituição, neste link. Os resultados do processo de seleção serão anunciados no site e nas redes sociais do Fundo Brasil, a partir de 10 de outubro de 2025.

O objetivo é fortalecer institucionalmente as organizações de base que atuam em temáticas como: defesa de direitos de mulheres negras e da população negra LGBTQIA+; combate à discriminação e violência interseccional baseada em raça, gênero e sexualidade; enfrentamento à violência estatal e ao genocídio da juventude negra; defesa dos territórios quilombolas, como reconhecimento e titulação de terras ancestrais; respeito às religiões de matriz africana, com combate à intolerância religiosa. Outros enfoques de combate ao racismo que sejam considerados estratégicos pelos grupos da sociedade civil também podem ser apoiados.

O edital vai avaliar propostas em diversas dimensões do fortalecimento institucional, como planejamento; aprimoramento de processos internos e gestão financeira; aprimoramento de profissionais; sistemas internos de monitoramento, avaliação de ações e aprendizagem; construção de planos específicos, como captação, comunicação, estratégia, incidência e segurança integral, por exemplo. Também podem ser apoiados projetos que incluam mobilização social, atendimento direto às comunidades e formações.

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“Garantir mais R$ 1 milhão em doações para organizações de base que enfrentam o racismo no dia a dia de seus territórios é de uma enorme relevância para a democracia brasileira”, disse Ana Valéria Araújo, diretora executiva do Fundo Brasil. “Nosso jeito de fazer esse trabalho é único, colocando em primeiro lugar a autonomia e a autodeterminação dos grupos e de suas comunidades, fortalecendo as soluções diversas que elaboram para os problemas do país.”

Grupo de Mulheres Negras Malunga. (Foto Vitória Laís / Acervo Fundo Brasil)

Grupo de Goiás está entre os apoiados

O Grupo de Mulheres Negras Malunga, em Goiás, é um dos coletivos que foram apoiados pelo Fundo Brasil de Direitos Humanos, em edições anteriores. A organização foi criada a partir da necessidade de mulheres negras de se articularem com base em suas experiências concretas e buscarem caminhos para a solução de seus problemas. Com o apoio do edital, o coletivo conseguiu criar a Rede de Mulheres Negras do Centro-Oeste para enfrentar os desafios regionais e promover a defesa dos direitos humanos, especialmente em favor de mulheres negras.

Pesquisa realizada pelo PoderData em outubro de 2024 constatou que 29% das pessoas entrevistadas no Centro-Oeste se consideram racistas. A região fica atrás do Sudeste (36%) e do Sul (41%), nesse tipo de declaração.

Ao mesmo tempo, estudo realizado pelo Instituto Cidades Sustentáveis mostra que em capitais como Campo Grande, Cuiabá e Goiânia, os jovens negros, pardos e indígenas com idades entre 15 e 29 anos são as principais vítimas de assassinatos. Em Cuiabá, por exemplo, a chance de um jovem preto, pardo ou indígena ser morto é dez vezes maior do que a de um branco ou amarelo na mesma faixa etária. A taxa de homicídios, nesse grupo, é de 10 para cada 100 mil habitantes, enquanto entre os brancos e amarelos é de 1 para cada 100 mil.

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“Nosso papel como fundação é usar a nossa ampla experiência para continuar captando recursos para essa causa, porque acompanhamos os projetos no dia a dia e vemos como o trabalho que esses grupos fazem transforma realidades, empodera mulheres, salva o futuro de jovens e crianças”, disse Ana Valéria Araújo, diretora executiva do Fundo Brasil.

 

Sobre o Fundo Brasil de Direitos Humanos

O Fundo Brasil de Direitos Humanos é uma fundação independente, sem fins lucrativos, que atua há 18 anos com a missão de promover o respeito aos direitos humanos no país, criando mecanismos sustentáveis, inovadores e efetivos para fortalecer organizações da sociedade civil e para desenvolver a filantropia de justiça social e socioambiental.
A fundação faz isso captando recursos para destiná-los a organizações e comunidades que lutam por direitos fundamentais e combatem as desigualdades, a violência institucional e a discriminação em todo o país. Desta forma, atua como uma ponte, conectando doadores a projetos de transformação social.
A instituição apoia as lutas por justiça racial e de gênero, por direitos dos povos indígenas, de populações quilombolas e tradicionais, por justiça climática na Amazônia e nos demais biomas do país, por direitos de crianças e jovens, de pessoas LGBTQIA+, de trabalhadores rurais e precarizados, de comunidades impactadas por obras de infraestrutura e empreendimentos urbanos, de vítimas da violência de Estado e seus familiares, a luta contra o encarceramento em massa e a tortura no sistema prisional, entre outras.
O Fundo Brasil já apoiou mais de 1.900 projetos e doou mais de R$98 milhões. Para saber mais, acesse o site do Fundo Brasil.

 

 

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Rodrigo Souza

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