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Jovens trocam estabilidade do primeiro emprego pelo CNPJ

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Entenda por que os jovens estão abandonando a carteira assinada pelo próprio negócio, especialistas alertam que o caminho exige preparo antes do improviso

Carteira assinada já não é o único sonho de quem está começando a vida profissional no Brasil. Cresce o número de jovens que trocam a fila do primeiro emprego pela abertura do primeiro negócio.

O movimento aparece nos números. Segundo pesquisa do Sebrae, com base em dados da PNAD contínua do IBGE, entre 2012 e 2025, cerca de 800 mil jovens se tornaram donos de negócios no país, levando o total nessa faixa etária a 4,897 milhões. É gente que decidiu empreender antes mesmo de rodar currículo atrás de vaga formal.

Para a especialista em mercado de trabalho, Anna Licarião, esse movimento é reflexo direto de uma mudança de mentalidade. Segundo Anna, os jovens de hoje encaram o CNPJ como uma etapa possível e não como um risco reservado a quem já tem experiência.

“Antes, empreender era visto como o passo dois, depois de anos de casa registrada. Hoje, para muitos jovens, é o passo um. A tecnologia baixou o custo de começar e isso muda tudo”, afirma Anna.

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O peso da pequena empresa na economia reforça o cenário. Em 2025, 80% das vagas de emprego criadas no Brasil vieram de micro e pequenas empresas, muitas delas abertas por quem nunca teve um emprego formal antes.

Não é para todos

Entre os principais motivos apontados por quem decide abrir um negócio como primeira experiência profissional, estão: acesso à tecnologia, maior escolaridade –   jovens com curso superior incompleto ou completo aplicam conhecimento técnico direto no próprio negócio; busca por autonomia – horários flexíveis e liberdade para decidir o próprio ritmo de trabalho.

Empreender cedo não é sinônimo de sucesso garantido e os números mostram os desafios.

Dados do Sebrae mostram que dois terços dos jovens empreendedores no Brasil ainda atuam na informalidade, o que limita o acesso a crédito, consultoria especializada e a possibilidade de crescer com mais segurança.

Para Anna Licarião, o entusiasmo com o empreendedorismo precisa vir acompanhado de planejamento. “Abrir um negócio sem capital de giro, sem entender o próprio fluxo de caixa e sem pesquisar o mercado é um risco alto. Empreender não é fugir do emprego formal, é assumir uma responsabilidade diferente”, pondera.

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Por onde começar: o que especialistas recomendam

Para quem pensa em empreender como primeira experiência profissional, alguns passos ajudam a reduzir riscos:

  1. Testar antes de investir pesado — validar a ideia em pequena escala, com poucos clientes, antes de comprometer todo o capital disponível;
  2. Buscar capacitação gratuita — programas como os oferecidos pelo Sebrae ajudam a estruturar plano de negócio, precificação e gestão financeira;
  3. Formalizar assim que possível — sair da informalidade amplia o acesso a crédito, consultoria e contratos maiores;

“O primeiro negócio não precisa ser perfeito, precisa ser sustentável. É melhor começar pequeno e aprender rápido do que começar grande e quebrar rápido”, resume Anna.

Ioná Piva Rangel
Assessoria de imprensa e conteúdo

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