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LOGÍSTICA DO AGRO; Ameaça de seca no Tapajós coloca em alerta exportações de MT.

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Governo prepara dragagem emergencial para manter navegabilidade da hidrovia, responsável por escoar grande parte da safra mato-grossense

GUSTAVO OLIVEIRA
Da Reportagem
Reprodução
Corredor logístico formado pela BR-163 e pela Hidrovia do Tapajós consolidou-se como uma das principais portas de saída da produção agrícola mato-grossense rumo ao mercado internacional

A decisão do Governo Federal de preparar uma dragagem emergencial no Rio Tapajós, para enfrentar os efeitos de uma possível seca extrema provocada pelo El Niño, vai muito além de uma questão ambiental ou de infraestrutura.

Para Mato Grosso, maior produtor de soja e milho do país, a manutenção da navegabilidade da hidrovia é considerada estratégica para garantir o escoamento da safra e preservar a competitividade do agronegócio brasileiro.

Hoje, o corredor logístico formado pela BR-163 e pela Hidrovia do Tapajós consolidou-se como uma das principais portas de saída da produção agrícola mato-grossense rumo ao mercado internacional.

Todos os anos, milhões de toneladas de soja, milho e farelo seguem de caminhão até os terminais de Miritituba (PA), onde são embarcadas em barcaças que descem o Tapajós até Santarém e, posteriormente, alcançam navios de longo curso com destino à Ásia, Europa e outros mercados.

INFO tapajos

É justamente essa logística que pode ser comprometida caso a estiagem reduza o nível do rio.

Estudos do próprio Governo Federal apontam que uma interrupção da navegação entre três e quatro meses impediria o transporte de 3,1 milhões a 5 milhões de toneladas de grãos, provocando prejuízos estimados entre R$ 510 milhões e R$ 850 milhões, além de elevar significativamente os custos do frete.

Nas últimas duas décadas, a abertura dos chamados portos do Arco Norte transformou a logística de exportação do Estado.

Historicamente, quase toda a produção seguia por caminhão até os portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR), percorrendo mais de dois mil quilômetros.

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Com a pavimentação da BR-163 e a instalação dos terminais portuários em Miritituba, grande parte dessa produção passou a seguir por uma rota mais curta até o Norte do país.

Além da redução das distâncias, a utilização das hidrovias diminuiu o custo do transporte por tonelada e ampliou a competitividade dos produtos brasileiros no mercado internacional.

Hoje, tradings instaladas em Mato Grosso utilizam intensamente esse corredor logístico durante o período de safra.

AUMENTO DO FRETE  – Caso o Tapajós perca condições de navegação durante a estiagem, o impacto seria sentido imediatamente pelo produtor rural.

Segundo cálculos do governo federal, o custo adicional do transporte poderá variar entre R$ 150 e R$ 250 por tonelada, resultado da necessidade de redirecionar parte da produção para outras rotas rodoviárias e portuárias.

Esse cenário também aumentaria a pressão sobre a BR-163, que já registra intenso fluxo de caminhões durante o pico da colheita.

Outra consequência seria o retorno de parte da produção aos portos do Sudeste, especialmente Santos, cuja capacidade operacional já trabalha próxima do limite em determinados períodos do ano.

Na avaliação do setor logístico, essa alternativa elevaria ainda mais os custos de transporte e reduziria a competitividade das exportações brasileiras.

A preocupação do governo ganhou força após os principais centros meteorológicos elevarem para 98% a probabilidade de ocorrência do fenômeno El Niño entre 2026 e 2027, sendo 37% de chance de um evento classificado como severo.

O fenômeno costuma provocar redução das chuvas na Amazônia, diminuição do nível dos rios e dificuldades para a navegação.

Situação semelhante ocorreu durante a estiagem de 2023 e 2024, quando diversos trechos da Bacia do Tapajós registraram níveis críticos, comprometendo o transporte hidroviário.

Diante desse cenário, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) prepara uma dragagem emergencial em sete pontos considerados críticos da hidrovia, entre Miritituba e Santarém.

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A intenção é remover bancos de sedimentos antes do período de estiagem, preservando a profundidade necessária para a passagem das embarcações.

DISPUTA AMBIENTAL – Apesar da urgência apontada pelo governo, a intervenção enfrenta resistência do Ministério Público Federal no Pará.

O MPF defende que a dragagem seja precedida de licenciamento ambiental e consulta às comunidades indígenas, ribeirinhas e tradicionais potencialmente afetadas.

Já o governo sustenta que se trata apenas de uma dragagem de manutenção, autorizada pela nova Lei Geral do Licenciamento Ambiental, sem necessidade de novo processo autorizativo.

Enquanto o impasse jurídico permanece, cresce a preocupação do setor produtivo com a proximidade do período de seca.

Para Mato Grosso, onde a economia depende fortemente das exportações agrícolas, a manutenção da navegabilidade do Tapajós tornou-se um dos principais desafios logísticos para a próxima safra.

Por que o Tapajós é estratégico para Mato Grosso?

• Liga os terminais de Miritituba (PA) ao porto de Santarém.

• Recebe grande parte da produção transportada pela BR-163.

• É um dos principais corredores de exportação de soja e milho do Estado.

Reduz distâncias em relação aos portos do Sudeste.

• Diminui o custo do frete e aumenta a competitividade das exportações. • • •

 O que pode acontecer sem a dragagem

• Interrupção da navegação por até quatro meses.

• Entre 3,1 milhões e 5 milhões de toneladas de grãos podem deixar de ser transportadas.

• Prejuízo estimado entre R$ 510 milhões e R$ 850 milhões.

• Frete pode subir entre R$ 150 e R$ 250 por tonelada.

• Maior pressão sobre a BR-163 e os portos de Santos e Paranaguá.

Aumento das emissões de CO₂ com a migração da carga para o transporte rodoviário.

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