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O real motivo por que as cidades sedes podem ter prejuízo financeiro ao sediar a Copa do Mundo nos Estados Unidos

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A Fifa projeta lucros recordes de até US$ 13 bilhões, mas exigências contratuais rigorosas e custos de segurança deixam a conta milionária para os municípios americanos.
As prefeituras precisam arcar com despesas massivas de segurança públicaReprodução / Instagram

A resposta exata para por que as cidades sedes podem ter prejuízo financeiro ao sediar a Copa do Mundo nos Estados Unidos está no modelo de negócios assimétrico imposto pelos organizadores do torneio. Enquanto a Fifa captura praticamente todas as grandes fontes de receita direta — como venda de ingressos, direitos de transmissão internacional e cotas de patrocínio global —, os municípios americanos absorvem a totalidade dos custos operacionais. As prefeituras precisam arcar com despesas massivas de segurança pública, adaptação de infraestrutura e logística de transporte, gerando um rombo coletivo estimado em mais de US$ 250 milhões apenas para as 11 sedes nos Estados Unidos.

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O monopólio comercial da entidade e o modelo descentralizado

Diferente de edições anteriores do torneio, onde um comitê organizador nacional centralizava as despesas e os riscos, o Mundial de 2026 adotou um modelo de contratos descentralizados. Cada cidade americana precisou assinar acordos individuais diretamente com a Fifa, assumindo toda a responsabilidade legal e financeira para que a bola pudesse rolar.

Esse arranjo isenta a entidade máxima do futebol de qualquer prejuízo local. A Fifa implementou um novo programa de apoiadores que substituiu os antigos comitês locais, o que na prática engessou a arrecadação das prefeituras. As cidades ficam proibidas de vender assentos premium ou fechar parcerias comerciais que entrem em conflito com os patrocinadores globais do torneio.

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Como resultado dessa limitação, os governos locais não conseguem monetizar o fluxo de turistas da mesma forma que os organizadores. O dinheiro gerado nas arenas vai direto para a Suíça, deixando para a administração pública americana apenas a esperança de recuperar o investimento por meio da arrecadação indireta de impostos sobre hotéis e restaurantes locais.

Os três maiores ralos de dinheiro público no torneio

Para entender a dimensão do desafio financeiro a poucos dias do início do torneio, é preciso observar para onde o dinheiro público está escoando. Abaixo, listamos os principais fatores de custo que pressionam as contas das sedes americanas:

1. Segurança e a paralisação de verbas federais

O custo para garantir a integridade de milhões de torcedores é o maior vilão das contas públicas. O governo federal havia prometido um repasse de US$ 625 milhões para ajudar as cidades com a segurança. No entanto, disputas políticas no Congresso americano e paralisações no Departamento de Segurança Interna atrasaram a liberação desses fundos. Sem esse dinheiro em caixa, cidades como Kansas City e Nova Jersey precisaram comprometer seus próprios orçamentos para garantir o policiamento nas ruas e nos arredores dos estádios.

2. Exclusividade comercial e bloqueio de parceiros

A impossibilidade de explorar comercialmente os espaços públicos ao redor dos estádios gera um custo de oportunidade gigantesco para as prefeituras. Na Filadélfia, por exemplo, um acordo lucrativo com uma rede de lojas de conveniência local foi sumariamente bloqueado pela Fifa. O motivo foi o simples fato de a marca ser considerada uma concorrente direta do McDonald’s, patrocinador oficial do evento.

As tradicionais festas públicas com telões gigantes são uma exigência contratual para receber o evento, mas o financiamento sai do bolso municipal. Com custos de estrutura física, licenciamento de áreas públicas e segurança que chegam na casa dos milhões de dólares, governos de diversas sedes ameaçaram cancelar os eventos paralelos às vésperas do torneio para evitar o endividamento.

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As metrópoles que disseram não ao cheque em branco

O cenário de alerta atual justifica a decisão controversa tomada por algumas das maiores metrópoles americanas anos atrás. Durante a fase de escolha das sedes em 2018, cidades com forte tradição esportiva, como Chicago e Minneapolis, retiraram voluntariamente suas candidaturas.

As administrações locais se recusaram a assinar o contrato imposto, argumentando que as cláusulas representavam um risco inaceitável para os contribuintes. O então prefeito de Chicago foi enfático ao afirmar que a cidade não daria um cheque em branco para cobrir eventuais déficits bilionários da organização. Hoje, com o aumento exponencial dos custos operacionais e a inflação dos serviços base, a postura defensiva dessas cidades se provou uma escolha financeira acertada.

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