“Onça come tamanduá?”: Especialista explica o cálculo de risco do maior felino das Américas após flagrante raro de Olavo Arruda na Transpantaneira.
Por Rodrigo Peronti, Terra da Gente
O desfecho, surpreendente para quem vê a onça como o ápice invencível da cadeia alimentar, mostra que, na natureza, o tamanho da coragem pode ser tão letal quanto a força da mandíbula.
No vídeo, compartilhado por Ailton Lara no Instagram, amigo de Olavo, o tamanduá utiliza sua tática ancestral de defesa — o erguer das patas e a promessa de um “abraço” mortal — para fazer o felino recuar.
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Onça-pintada vs. Tamanduá-bandeira em Poconé (MT) — Foto: Redes Sociais / Ailton Lara / Olavo Arruda
A estratégia do ‘abraço’ e as garras de 10 cm
Embora a onça-pintada possua a mordida mais forte entre os felinos, capaz de perfurar cascos de tartarugas e crânios de jacarés, o tamanduá-bandeira não é uma presa fácil. Segundo o biólogo Fernando Rodrigo Tortato, Doutor em Ecologia e Coordenador da ONG Panthera Brasil, o risco para o predador é real.
“O tamanduá-bandeira possui garras de até 10 cm em suas patas dianteiras. No vídeo, é possível observar que ele consegue se defender tentando ‘abraçar’ a onça e usando essas garras”, detalha Tortato.
Esse comportamento de defesa, em que o animal se apoia nas patas traseiras e abre os braços, é uma exibição de força que pode causar ferimentos viscerais profundos no felino.
RELEMBRE ESTE FLAGRA DE 2019:
Cardápio pantaneiro e o fator oportunidade
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Flagrante aconteceu em Poconé, no MT — Foto: Redes Sociais / Ailton Lara / Olavo Arruda
Diferente do que ocorre no Cerrado, onde o tamanduá é uma presa mais comum, no Pantanal ele aparece em apenas 5% da dieta das onças. A preferência do felino na região costuma ser por:
- Jacarés
- Capivaras
- Porcos-do-mato (queixadas e caititus)
Então, por que atacar um animal tão perigoso? Para Tortato, a resposta é o oportunismo.
“A tentativa de caça não indica escassez de alimento, mas sim uma oportunidade de momento. Predadores avaliam o custo-benefício, o gasto de energia versus o risco de ferimento. Nesse caso, a onça achou que valia a tentativa”, afirma o especialista.
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O fator humano no desfecho
Um detalhe importante do vídeo é a influência da presença humana. O brilho dos faróis e a aproximação do veículo de Olavo Arruda podem ter sido o “fiel da balança” para a sobrevivência do tamanduá.
“Se percebe no vídeo que a onça-pintada perde a concentração na captura devido à aproximação do veículo. Isso permitiu que o tamanduá escapasse”, pontua o biólogo.
A recomendação para quem presencia cenas assim é clara: silêncio absoluto e distância. Interferir, mesmo que involuntariamente, altera o curso natural da vida selvagem.
Estudos publicados sobre a ecologia alimentar da onça-pintada reforçam que a espécie é generalista, adaptando-se ao que o bioma oferece de mais abundante. Pesquisas indicam que a densidade de presas e a facilidade de captura são os principais motores das escolhas do felino.
O flagrante de Olavo Arruda agora entra para a galeria de registros raros que ajudam cientistas e entusiastas a entenderem a complexa dança da vida no Pantanal — onde nem sempre o mais forte vence, mas sim aquele que melhor sabe usar as armas que a evolução lhe deu.





























