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Por que esconder? *Por Luciano Vacari

JOSE MEDEIROS

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O consumo consciente está cada vez mais presente no dia a dia de bilhões de
habitantes mundo afora. Seja quando se escolhe um carro elétrico ao invés de
um 8 cilindros a gasolina, seja na escolha de fibras, grãos ou proteínas, o
fato é que mais e mais pessoas estão preocupadas com a fonte de seu consumo
diário, com a qualidade e com a origem de seus alimentos.

O Brasil, por exemplo, em 2001 criou o SISBOV – Sistema Brasileiro de
Identificação e Certificação de Origem Bovina e Bubalina, garantindo aos
consumidores a procedência daqueles animais que aderiram ao sistema, que não
é obrigatório. Mais recentemente, a China, hoje nosso maior comprador de
proteína animal, impôs regras que vão desde o limite de idade de abate até a
rastreabilidade para os animais.

Mas talvez o melhor exemplo disso seja a Europa. Lá os consumidores estão
cada vez mais engajados em alimentos, fibras e energia cada vez mais
sustentáveis. Saber de onde ele veio, é o passo número 1. E não fica por aí,
querem alimentos livres de hormônios e antibióticos, com boas práticas de
produção, respeito ao meio ambiente e equidade social.

E antes que alguém pergunte, vamos antecipar. E estão dispostos a pagar por
isso?

Parece que sim. E a saída são os protocolos privados, que como o próprio
nome já diz, são acordos entre partes que são garantidos por auditorias de
3ª parte e validados pelo Ministério da Agricultura, o MAPA. Percebem o
tamanho da nossa oportunidade?

Oportunidade? Sim, afinal somos os maiores produtores de alimentos, fibras e
energia do mundo, e já produzimos, em sua imensa maioria, dentro das
condições que o consumidor mundial quer. Temos aqui o melhor código
florestal do planeta, o que faz com que os produtores mantenham em suas
propriedades áreas de preservação e protejam as encostas dos rios. Ainda,
nosso sistema de produção é modelo para todos, e até motivo de inveja. E o
que dizer do nosso controle sanitário? Um dos melhores do mundo, prova disso
é que acabamos de receber, em Paris, e em menos de uma semana, 2 vezes o
prêmio de área livre de aftosa sem vacinação pela Organização Mundial de
Saúde Animal – OMSA.

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Mas fica uma pergunta, por que alguns relutam tanto em demonstrar nossas
boas práticas e a origem direta e indireta dos animais? Isso deveria fazer
parte da transparência do processo, da produção ao comércio, e todos só têm
a ganhar com isso, ou pelo menos quase todos. Os únicos que teriam algo a
perder com a transparência seriam aqueles que ganham dinheiro na água turva.

Aqueles produtores que não mantêm o devido controle sanitário em suas
propriedades, que não oferecem condições dignas de trabalho aos seus
colaboradores, que desrespeitaram as regras ambientais brasileiras, esses
sim, teriam muito a perder! E nada mais justo não, afinal por que premiar o
ilegal?

No final de 2024 o governo federal anunciou o PNIB – Plano Nacional de
Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, que tem como objetivo
identificar individualmente todo o rebanho bovino e bubalino do Brasil. Mais
recentemente, a Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura que é um
movimento composto com mais de 400 representantes da iniciativa privada,
setor financeiro, academia e sociedade civil, divulgou um estudo trazendo a
importância de se demonstrar a origem direta e indireta da pecuária
nacional, inclusive propondo a interação entre a guia de trânsito animal e o
cadastro ambiental rural, o que seria uma importante ferramenta de mitigação
de risco sanitário, afinal teríamos a origem territorial e da movimentação
animal.

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O fato é que temos todas as condições de nos tornarmos protagonistas na
produção sustentável de alimentos. As ferramentas já existem, os controles
já existem, e principalmente, o modelo produtivo já existe. Só precisamos
mostrar de onde veio!

*Luciano Vacari é gestor de agronegócios e CEO da NeoAgro Consultoria

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