Um estudo inédito revelou que os produtores de soja mais rentáveis do Mato Grosso lucraram mais que o dobro da média estadual na safra 2025/26. O levantamento exclusivo do Aegro Insights, baseado em notas fiscais reais de compra de insumos emitidos por produtores rurais de Mato Grosso, criou um ranking de lucratividade da soja no estado.
As fazendas no topo do ranking de lucratividade da soja em Mato Grosso (10% mais rentáveis, margem de lucro de 47,2%) tiveram lucro de R$ 3.430 por hectare na safra 2025/26, mais que o dobro da média estadual, de R$ 1.691 por hectare. As fazendas no fim do ranking (10% menos rentáveis, prejuízo de 34,5%) tiveram perdas de R$ 1.186 por hectare.
De acordo com Mathias Bergamin, que é engenheiro agrônomo, especialista de novos negócios e inteligência de mercado na Aegro, os dados de Mato Grosso na safra 2025/26 derrubam um mito antigo da sojicultura. “Não é quem produz mais que ganha mais. A área da fazenda tem correlação zero com o lucro. Tem fazenda pequena no Top 10% e fazendas gigantes lá embaixo. A estatística confirma o que destrói a lucratividade: o ponto de equilíbrio e o Custo Operacional Efetivo (COE)”, explica Bergamin.
De acordo com o ranking de lucratividade do Aegro Insights, as fazendas do Top 10% colhem só 3,7 sc/ha a mais que a média (+5,9%), mas lucram 89% a mais. A diferença não está no campo, está no custo. O COE delas é de R$3.100/ha contra R$4.732/ha da média, uma economia de R$1.631/ha em toda a safra. E o ponto de equilíbrio fica em 29,3 sc/ha contra 45,4 sc/ha.
Segundo o especialista, houve cortes de gastos com fertilizantes (-31%), máquinas (-22%) e outros custos (-48%). “O produtor rentável corta onde sabe que é possível e protege o que não pode mexer, como por exemplo fungicidas, já que em Mato Grosso a ferrugem asiática é um problema grave. Resumindo: quem mede, compara e negocia, ganha mais”, diz Bergamin. Na média brasileira, as fazendas no topo do ranking nacional tiveram lucro de R$ 5.288/ha de lucro (56,6%). Ou seja, há muito espaço para que o produtor mato-grossense lucre mais.
Safra de soja 2026/27: o que vem pela frente?
Agora os produtores planejam a safra de soja 2026/27, cujo plantio em Mato Grosso começa em setembro. Segundo a análise do Aegro Insights, o cenário indica três fatores desafiadores ao mesmo tempo: aumento de custos, preços desfavoráveis e riscos climáticos.
O custo já disparou
Não é projeção. Os dados de compra da própria Aegro mostram a ureia paga pelo produtor saltando de uma mediana de R$3.200/t em dezembro de 2025 para R$5.900/t no início de maio de 2026. Uma alta de 84% em cinco meses.
O preço não vem em socorro
A soja em Chicago segura suporte em US$11,50 e resistência perto de US$12/bushel, mas recuou nas últimas semanas com o clima favorável no Meio-Oeste americano e perda do prêmio de risco. A demanda chinesa pode esfriar: com o acordo entre Estados Unidos e China e a volta das compras dos americanos, o agro brasileiro perde parte do impulso dos embarques recordes. A leitura é direta: depois de um 2025 difícil, a margem do produtor tende a ficar ainda mais apertada em 2026.
O clima é a carta que falta virar
O boletim mais recente da NOAA (1º de junho) coloca as águas do Oceano Pacífico em monitoramento de El Niño: 82% de chance de formação entre maio e julho, 96% de continuidade entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027, e chance próxima de dois terços de um evento forte ou muito forte no trimestre de novembro de 2026 a janeiro de 2027. Essa é exatamente a janela de plantio e enchimento de grãos da safra de soja 2026/27.
O risco é regional: em parte do Centro-Oeste, o El Niño agrava a estiagem e o risco nas culturas de sequeiro.
De acordo com Bergamin, a safra 2026/27 vai premiar quem trata insumo como decisão financeira, comprando fertilizante fora do pico e fazendo cotações em no mínimo três fornecedores. Isso porque análises do Aegro Insights mostram que a diferença de preço chega a 91% no mesmo produto, mês e prazo. Além disso, é importante calcular o custo real do prazo, sendo que a taxa implícita mediana está em 21% ao ano.
“Na prática, com soja a R$104/sc em Mato Grosso e ponto de equilíbrio médio em 46,7 sc/ha, não sobra margem para a ineficiência. E os três vetores empurram o ponto de equilíbrio para cima ao mesmo tempo. Não é o tamanho da lavoura que define o resultado. É a gestão do custo, ainda mais quando o clima não colabora”, alerta o especialista.
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O que acha da sugestão de pauta? Os especialistas da Aegro podem dar dicas para que os agricultores da sua cidade possam melhorar a margem de lucro.
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Sobre a Aegro
A Aegro oferece o sistema de gestão para produtores rurais mais utilizado do Brasil. Líder do segmento, a Aegro simplifica a gestão de fazendas, unindo dados operacionais do campo ao controle financeiro do escritório numa mesma plataforma digital.
Além disso, a empresa opera um braço de inteligência de mercado que desenvolve pesquisas baseadas em dados anonimizados de milhares de hectares, em sua maioria destinados ao cultivo de grãos e criações de gado. Essa área de negócios é subdividida em Aegro Insights, que gera relatórios e painéis para os produtores, e Aegro Index, voltado para a agroindústria.
A empresa segue investindo em tecnologia e inovação. Por meio de suas soluções, a Aegro ajuda produtores brasileiros a tomarem decisões baseadas em números reais para garantir a sustentabilidade de seus negócios.
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Darlene Santiago






























