Há países onde se estuda economia, gestão, logística, tributação e legislação para empreender. No Brasil, além de tudo isso, recomenda-se um curso avançado de fé, paciência e interpretação de sinais divinos.
Abrir uma empresa é relativamente fácil. O verdadeiro desafio é mantê-la viva. O empresário brasileiro acorda sem saber se o governo criou um novo imposto, aumentou uma alíquota, alterou uma norma, publicou uma medida provisória ou simplesmente decidiu reinterpretar uma regra que existia há décadas.
No Brasil, o empreendedor não é apenas empresário. Ele é contador, advogado, especialista tributário, gestor de riscos, analista político e, nos momentos mais difíceis, praticamente um teólogo tentando compreender os desígnios da burocracia nacional.
Enquanto países disputam investimentos oferecendo segurança jurídica, previsibilidade e simplificação tributária, o Brasil parece competir em outra categoria: a do campeonato mundial de formulários, obrigações acessórias e mudanças regulatórias inesperadas.
O empresário brasileiro produz riqueza, gera empregos, paga salários, recolhe impostos municipais, estaduais e federais e, como prêmio por sua coragem, recebe mais obrigações, mais fiscalização e mais incertezas. É quase uma relação afetiva tóxica entre o Estado e quem produz.
A cada reforma tributária, promete-se simplificação. Curiosamente, a simplificação sempre vem acompanhada de centenas de páginas explicando como tudo ficou mais simples. Se fosse mais complexo, provavelmente seria necessário criar um Ministério exclusivo para interpretar a simplificação.
O investidor estrangeiro, ao analisar o Brasil, normalmente faz a mesma pergunta: “Como vocês conseguem operar nesse ambiente?” A resposta costuma ser simples: não sabemos exatamente. Funciona na base da criatividade, da resiliência e de uma confiança inabalável de que amanhã será melhor — ou pelo menos não será pior.
O mais impressionante é que, apesar de tudo, o empresário brasileiro continua produzindo, exportando, inovando e gerando oportunidades. Talvez porque tenha desenvolvido uma habilidade única no planeta: sobreviver onde a lógica econômica frequentemente tira férias.
Por isso, quando alguém pergunta como é fazer negócios no Brasil, a resposta mais honesta talvez seja:
“Não tente entender apenas pela razão. Há fatores econômicos, jurídicos e tributários envolvidos. Mas, acima de tudo, existe um elemento indispensável: fé. Porque algumas coisas, realmente, só Deus explica.”
Washington Castro Junior
#Empreendedorismo #Brasil #Tributação #Economia #Burocracia #LivreMercado #Negócios #Empresas #Política #Reflexão
































