CUIABÁ
Pesquisar
Close this search box.

Amorosidade vira artigo de luxo em tempos de julgamento; Por Kamila Garcia

publicidade

Cada pessoa carrega em si um universo próprio, formado por experiências, afetos, traumas e valores. É a partir desse repertório individual que enxergamos o mundo, tomamos decisões e interpretamos o comportamento alheio. Diante dessa diversidade, esperar comportamentos homogêneos é ignorar a própria natureza humana. Não somos iguais — e é justamente aí que nasce o maior desafio da convivência.

A forma como definimos o que é certo ou errado também passa por esse filtro pessoal. A moralidade, embora pareça universal, é atravessada por subjetividades. Ainda assim, existe uma espécie de bússola interna que orienta nossas escolhas, construída ao longo da história por leis, costumes e valores culturais.

Normas, porém, não garantem atitudes. Elas indicam caminhos, mas cabe a cada indivíduo decidir se irá segui-los. E é nesse ponto que surge um dos principais conflitos da atualidade: o excesso de julgamento.

Vivemos em uma era em que opinar se tornou automático — e, muitas vezes, condenar virou regra. As redes sociais potencializaram esse comportamento, transformando divergências em disputas e diferenças em ataques. Criamos uma cultura de tribunais informais, onde muitos julgam e poucos se dispõem a compreender.

Leia Também:  Em 2024, setor hoteleiro registra crescimento e previsão de investimentos é de R$ 8,4 bilhões em quatro anos

Nesse cenário, esquecemos uma verdade essencial: a única vida sob nosso real controle é a nossa. A única transformação possível começa dentro de cada um.

O psicólogo Carl Rogers, um dos principais nomes da abordagem humanista, já defendia que compreender o outro exige mais do que ouvir — exige empatia genuína e a suspensão de julgamentos. Para ele, só é possível haver crescimento verdadeiro quando existe um ambiente de aceitação.

Reconhecer isso não é indiferença, mas responsabilidade. A cada pessoa cabe olhar para si, rever atitudes e buscar evolução. Quando esse limite é respeitado, as relações deixam de ser espaços de imposição e passam a ser territórios de encontro.

É nesse contexto que a reciprocidade ganha força. Não como troca condicionada, mas como expressão de respeito. Relações saudáveis se sustentam na capacidade de reconhecer o outro como ele é, sem a necessidade de moldá-lo.

É por isso que a amorosidade está se tornando tão rara. Em meio à pressa, à polarização e aos julgamentos imediatos, o cuidado com o outro perdeu espaço — tornou-se, de fato, um artigo de luxo.

Leia Também:  SEM FERIDOS; Fiat Mobi capota após batida em cruzamento em bairro de VG

Resgatar essa postura exige menos apontamento e mais consciência. Em um mundo que fala muito, mas escuta pouco, escolher compreender pode ser um ato silencioso — e profundamente transformador.

*Kamila Garcia é bacharel em Língua Portuguesa e Literatura Brasileira, com pós-graduação em Psicanálise. Atualmente é estudante de Psicologia.

Soraya Medeiros

Assessora de imprensa

Compartilhe essa Notícia

publicidade

publicidade

publicidade

publicidade