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Restrições energéticas exigem olhar atento às especificidades da cogeração, alerta presidente da Cogen

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Curtailment intensifica riscos ao modelo de cogeração, responsável por 10% da matriz elétrica brasileira

 

Há seis meses, usinas de cogeração de energia elétrica a partir da biomassa vivem dias desafiadores. Desde dezembro do ano passado, estão em voga as orientações para aplicação de restrições às usinas classificadas como Tipo III em situações de baixa demanda no Sistema Interligado Nacional (SIN). Chamado de curtailment, esse processo trata da limitação ou até mesmo corte deliberado da exportação de energia elétrica por determinação do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), geralmente motivado por restrições operativas, excesso de oferta em comparação à demanda ou limitações na infraestrutura de transmissão.
De acordo com Newton Duarte, presidente-executivo da Cogen (Associação da Indústria de Cogeração de Energia), o risco em questão está no aspecto técnico inerente às usinas e biomassas. Pelo fato de atuarem na cogeração de energia elétrica e térmica concomitantes, as infraestruturas apresentam poucas condições de flexibilizar sua produção, tornando praticamente impossível se adequar a geração mínima, ou mesmo nula em cenários críticos, de exportação ao SIN sem comprometer a produção agroindustrial. “Para evitar a possibilidade de colapso do sistema elétrico, o despacho é reduzido ou interrompido temporariamente. O grande ponto, porém, é que essa contenção no caso da cogeração cria o risco de prejuízos ainda mais significativos, uma vez que incluem os processos industriais, colocando em xeque uma conta ainda maior”, alerta o especialista.
Atualmente, a bioeletricidade tem posição de destaque na matriz energética do País. A cogeração a partir de biomassas soma 18,8 GW e corresponde a 85,% da capacidade instalada total de cogeração no Brasil (22,0 GW), segundo dados da Cogen referentes a abril de 2026.

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Consequência dupla

O bagaço da cana-de-açúcar é responsável por 70% da cogeração de energia a partir de biomassas no Brasil, segundo dados divulgados pela ANEEL, CCEE e EPE, indicando a importância da bionergia do setor sucroenergético. Caso se confirme uma limitação energética dentro do processo de cogeração nas usinas, o impacto também será sentido diretamente na produção do açúcar e etanol.

 

Dessa maneira, o curtailment tende a gerar passivos em diferentes escalas quando realizado em usinas de cogeração. De um lado, há o prejuízo atrelado aos kWh que a usina deixa de gerar, exigindo, entre outras ações, o custo de reposição elétrica, muitas vezes a preços elevados, por meio do Preço de Liquidação das Diferenças (PLD). De outro, existe o comprometimento do processo produtivo, que depende do vapor e eletricidade gerados na mesma planta, resultando na redução da eficiência fabril, ou até mesmo a necessidade de desligamento da produção. “É um efeito cascata. A empresa perde na venda da energia, incorre em custos adicionais para recompor sua posição e ainda corre o risco de comprometer toda a sua produção agroindustrial. Isso fragiliza a competitividade e cria um ambiente de insegurança regulatória ao setor”, analisa o executivo.

 

Efeito além do energético

Ainda segundo Duarte, embora o curtailment seja justificável visando a segurança e estabilidade do sistema elétrico, é preciso levantar questionamentos sobre a adequação dos critérios de despacho e a necessidade de maior reconhecimento das especificidades de cada fonte.
Isso porque, diferentemente de outras formas de geração, a cogeração está atrelada a uma cadeia produtiva para além do setor elétrico, atingindo diretamente outros segmentos da economia, como o próprio agronegócio. “O impacto na eficiência operacional das usinas sucroenergéticas, por exemplo, pode comprometer a oferta de açúcar, etanol, biogás e biometano, além de afetar empregos, investimentos e a sustentabilidade de uma cadeia importante para o País”, destaca o especialista.
Visando minimizar o impacto, o risco de cortes elétricos no Brasil deveria respeitar uma ordem prioritária que considere as características da cogeração. O executivo alerta também que outros passos precisariam ser dados. “É fundamental avançarmos em mecanismos regulatórios que, além de considerar a natureza integrada da cogeração, promovam o emprego, por exemplo, de resposta da demanda e um sinal de preço que venha a se adequar à nova realidade do setor, com as sobras de geração, bem como a recomposição nos horários de pico de consumo. Caso contrário, corremos o risco de penalizar algumas das fontes mais eficientes e sustentáveis da nossa matriz elétrica”, conclui o presidente da Cogen.

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Sobre a Cogen

A Associação da Indústria de Cogeração de Energia (Cogen), criada em 2003, atua de forma institucional para impulsionar a Geração Distribuída no Brasil, com foco em cogeração a partir de biomassa, gás natural e biogás. Reúne 80 associados que representam toda a cadeia de cogeração no Brasil. A entidade desenvolve estudos técnicos e dialoga com órgãos governamentais para aprimorar a regulação do setor. Além disso, promove conexões estratégicas e oportunidades de negócios entre empresas com interesses comuns, fortalecendo o ecossistema de cogeração no país.

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Informações para a imprensa:

Carlos Souza – Gerente de Atendimento

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