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Crise é oportunidade quando há gestão; Por Jurandir Barrozo

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Todo empreendedor experiente sabe que crise não chega com aviso prévio. Ela aparece no preço da soja, no custo dos insumos, na queda das vendas, na dificuldade de crédito ou na instabilidade da economia. Mas também traz uma pergunta importante: o que podemos fazer melhor a partir daqui?

Depois de mais de cinco décadas acompanhando o agronegócio brasileiro de perto, aprendi que o empreendedor não pode viver apenas ao sabor das circunstâncias. Um dia o preço da soja está em alta, no outro está em baixa. Um ano o milho remunera bem, no outro exige cautela. Isso faz parte da vida de quem produz, vende, industrializa e acredita no Brasil.

O que separa quem atravessa a dificuldade de quem é engolido por ela não é a ausência de problemas. É a gestão.

O agronegócio brasileiro mostrou novamente a sua força. Em 2025, a agropecuária cresceu 11,7% e foi um dos principais motores do avanço do PIB nacional. Esse resultado confirma a potência do campo, mas não elimina os desafios de quem está na ponta. Produzir mais nem sempre significa ganhar mais. O produtor sabe disso melhor do que ninguém. Pode colher bem e, ainda assim, enfrentar preço baixo, custo alto, logística difícil e necessidade permanente de investir em eficiência.

É nesse ponto que a crise revela oportunidades.

Quando o cenário é favorável, muitos crescem. Quando o cenário aperta, permanece forte quem tem gestão, caixa, equipe preparada, relacionamento com o cliente e coragem para inovar. A crise obriga o empresário a olhar para dentro do próprio negócio, rever desperdícios, melhorar processos, qualificar pessoas e investir no que realmente gera resultado.

Em Mato Grosso, esse espírito empreendedor aparece de forma muito clara. O Estado conta com mais de 318 mil empresas ativas e quase 293,5 mil microempreendedores individuais. Também registrou a abertura de 2.727 novas indústrias entre janeiro e outubro de 2025. Esses números mostram que a economia mato-grossense não depende apenas da força produtiva do campo, mas também da capacidade de transformar, agregar valor e criar novos negócios a partir das cadeias que o agro movimenta.

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O futuro do agro brasileiro não está apenas em produzir mais. Está em produzir melhor, industrializar mais, depender menos de soluções importadas quando temos capacidade técnica para desenvolver no Brasil e levar a nossa tecnologia para o mundo.

Foi essa visão que nos levou, na Multibelt, a apostar na fabricação nacional das esteiras Draper. Não foi uma decisão simples. Quando se faz algo novo, sempre há quem diga que não vai dar certo. Mas o Brasil tinha matéria-prima, tinha conhecimento de campo, tinha produtores com dores reais e tinha espaço para uma solução nacional. Faltava dedicação, gestão e coragem para abrir caminho.

Empreender exige intuição, disciplina e otimismo. Mas o otimismo não é ignorar a dificuldade. É enxergar o problema, calcular riscos, preparar a empresa e seguir em frente. Otimismo sem gestão é ingenuidade. Gestão sem otimismo vira medo. O empreendedor precisa dos dois.

Os números mostram que esse sentimento continua vivo no Brasil. Em 2025, foram abertas 5,1 milhões de empresas no país, o maior volume da série histórica. Mais de 96% delas eram pequenos negócios. Além disso, o Brasil tinha, em 2024, cerca de 46,9 milhões de pessoas envolvidas com negócios em fase inicial ou já estabelecidos. Isso mostra que empreender é mais do que abrir CNPJ. É uma forma de olhar o mundo, encontrar possibilidades onde muitos enxergam apenas dificuldade e transformar limitação em criatividade.

Mas a oportunidade não significa improviso. O produtor rural precisa conduzir a fazenda como uma empresa. Em ano bom, é preciso poupar, reinvestir com responsabilidade e criar suporte financeiro para atravessar os ciclos de baixa. Não se pode confundir crescimento com euforia. Ampliar produção, comprar terra ou investir em máquinas deve fazer parte de uma estratégia, não de um impulso.

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O mesmo vale para a indústria, o comércio e os serviços. A empresa que retira todo o lucro, perde o foco e não se capitaliza fica vulnerável na primeira dificuldade. Já a empresa que valoriza seus profissionais, cuida dos clientes e reinveste no próprio negócio cria condições para atravessar períodos duros com mais segurança.

Outro ponto essencial é a inovação. E inovação não é apenas tecnologia de ponta. Inovar também é ouvir melhor o cliente, simplificar processos, reduzir perdas, melhorar entregas, treinar equipes e desenvolver produtos mais adequados ao mercado.

A inovação é a matéria-prima da longevidade. E a longevidade empresarial nasce da soma entre experiência e abertura ao novo. O Brasil tem uma juventude preparada, com acesso à tecnologia e novas formas de pensar. Também tem uma geração de empresários que aprendeu, na prática, a enfrentar a inflação, instabilidade e falta de incentivo. Quando essas duas forças caminham juntas, o país ganha.

Por isso, acredito que a crise não deve ser vista apenas como ameaça. Ela também é uma escola. Ensina a cuidar melhor do dinheiro, profissionalizar a gestão, valorizar quem está ao nosso lado e procurar caminhos que talvez não fossem considerados em tempos de conforto.

O agro brasileiro já provou sua competência dentro da porteira. Agora, precisa avançar cada vez mais fora dela: em gestão, industrialização, tecnologia, armazenagem, logística, sucessão, governança e presença internacional.

Crise sempre vai existir. O que muda é a forma como cada empreendedor reage a ela. Alguns paralisam. Outros reclamam. Mas há aqueles que observam, ajustam a rota e seguem trabalhando.

Eu fico com esse último grupo. Porque empreender é, acima de tudo, acreditar que ainda há algo a construir.

HF Comunicação Estratégica
Atendimento à Imprensa:
Laís Costa Marques

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