Em 1929, o poeta Fernando Pessoa criou o célebre slogan:
“Primeiro estranha-se. Depois, entranha-se.”
Talvez essa frase também explique a cultura pantaneira.
Mesmo após décadas de tentativas de substituir os saberes tradicionais por modelos importados, o Pantanal continua mostrando que conservação e cultura sempre caminharam juntas. Nos campos inundáveis do Rio Paraguai, seguem vivas as lições dos antigos pantaneiros: respeito ao ciclo das águas, convivência com a fauna e integração entre homem, pecuária e natureza.
Ser “pantaneiro” exige resistência e adaptação:
* enfrentar seca, enchente, frio, calor e insetos;
* sobreviver na terra e na água;
* compreender o ritmo natural do Pantanal.
Talvez esteja na hora de observar, sem preconceitos, onde a natureza permaneceu mais íntegra: nos espaços isolados das “reservas” ou nas áreas mantidas sob a cultura secular pantaneira.
Se quisermos conservar o Pantanal, talvez seja preciso primeiro conhecer sua cultura.
“Primeiro estranha-se. Depois, entranha-se.”
— Armando Arruda Lacerda
Pantaneiro do Porto São Pedro





























