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Bar no CPA tem estátua do McDonalds no telhado e dono já recebeu oferta de Sérgio Ricardo: ‘ganhei de um amigo pedreiro’

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miro pé de frango’

Por Bruna Barbosa – Da Redação

Sentado em uma cadeira de fio, o goiano Almiro da Costa Torres, de 59 anos, brinca com a neta em frente ao bar que leva seu apelido, no bairro Ouro Fino, em Cuiabá. Conhecido como ‘Miro Pé de Frango’, ele tem visto o estabelecimento ganhar fama por um detalhe inusitado: no telhado do bar uma estátua do Ronald McDonald, um palhaço que ficou famoso por aparecer nas publicidades do McDonald’s ao redor do mundo, observa a rua e os clientes na Baixada Cuiabana.

Nos anos 90, era comum encontrar uma estátua do palhaço sentada em um banco na frente das unidades do Mcdonald’s dando boa-vinda aos clientes. Agora, a peça que ficava na lanchonete do Coxipó guarda o Bar do Miro Pé de Frango. AoOlhar Conceito, ele conta que o presente chegou através de um amigo pedreiro que estava responsável por jogar fora o objeto que virou uma raridade, já que Ronald McDonald, criado nos anos 60, saiu das publicidades da marca em 2016.

“Ele fazia reforma do Mc Donald’s lá do Coxipó, era o palhaço e uma arara que estava na casa dele. Ele morava aqui na beira do córrego. Ele chegou e perguntou: ‘e aí Miro, você quer a arara e o boneco do Mc Donald’s? Eu trouxe lá, era para eu quebrar e jogar fora’. Fui lá pegar e carreguei para cá, a arara era um orelhão, ficava bonito aqui na frente do bar”, lembra Miro enquanto embala a neta nos braços.

Nos primeiros meses a estátua, chamada pelo dono apenas de “o palhaço”, ficava sentada embaixo de uma árvore na entrada do bar. No entanto, após episódios de vandalismo, ela foi transferida para o telhado do estabelecimento. “Não deu trabalho para levantar, ela é levinha, é de fibra”, conta. Foi assim que o Ronald McDonald passou a vigiar, das alturas, parte do CPA 1.

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Miro tem três filhas e a do meio, a corretora de imóveis de alto padrão Adriana Torres, de 35 anos, acompanha a conversa enquanto ajuda o pai a desenrolar os fios das memórias de uma vida inteira. Rindo, ela diz não saber quem colocou o nome do bar de Miro como “Bar Méqui Lanche Feliz” no Google. “Não sei quem fez isso, foi virando ponto turístico”.

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Encostado na mesa de sinuca que fica no centro do bar, Miro conta outra das histórias inusitadas que guarda consigo: quando o presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT), Sérgio Ricardo, quis comprar a estátua de Ronald McDonald. “Ele viu e quis levar para decorar a entrada da chácara dele. Outra vez um cara de Itiquira fez uma oferta de R$ 3,5 mil. Mas eu não vou vender”.

Miro diz que aceita vender a estátua do palhaço “um dia” quando surgir uma oferta para comprar o bar. Adriana conta que o pai pensa em parar de trabalhar quando conseguir vender o estabelecimento para investir em uma chácara. A “vida no mato” é um dos sonhos do goiano, que já plantou arroz no terreno, criou galinhas e mostra, orgulhoso, a pequena hora que mantém. “Ele já falou que se vender aqui por R$ 800 mil, ele pega o dinheiro para comprar uma”.

Bar do Miro Pé de Frango

O Bar do Miro Pé de Frango, no entanto, existe muito antes da chegada do palhaço Ronald Mcdonald e faz parte da história de sobrevivência da família do goiano, que lembra ter chegado na rodoviária de Cuiabá na década de 80 carregando apenas uma “maletinha de papelão”. A história do apelido surgiu depois de um dia em que dois clientes tentaram sair sem pagar por uma tubaína.

“Pé de Frango é por causa de uma história com o irmão do Luis Carniça. Subiu dois aqui, tomaram tubaína, eu não vendo fiado, falaram que iam pagar depois. Eu falei que não vendia fiado, um ficou brabo e o outro correu, a inchada deles ficou aqui. O irmão do Luis Carniça chegou e perguntou porque os caras estavam correndo, eu falei que eles eram uns pé de frango querendo sair sem pagar. Daí ficou o apelido”, lembra Miro.

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“O bar vem de antes do palhaço do McDonald’s”, reforça Adriana.

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São 24 anos de Bar do Miro Pé de Frango, estabelecimento que ele conseguiu abrir após vender um lote e comprar os primeiros itens do bar. “Era só uma janelinha”, conta a filha do meio. “Era um ‘L’, tudo sem rebocar”, explica Miro. As três filhas cresceram na casa nos fundos do bar, onde ele e a esposa moram até hoje.

“Quando ele abriu o bar tudo começou a ficar mais confortável, ele vendia pão… Vendia de tudo, era tipo uma mercearia”, lembra Adriana, que cresceu vendo e ouvindo as histórias de trabalho duro do pai para sustentar a família.

“Meu primeiro serviço foi em 1984, depois trabalhei de frentista no posto de gasolina aqui da entrada, depois fui para a verduraria do Jumbo, nas horas vagas ia aprender a desossar. Passei a ser açougueiro. Fui do Modelo duas vezes, do Catarinense, do Big Lar… Trabalhei muitos anos no Big Lar, foi lá que comprei o terreno para comprar lá”, conta Miro.

O ofício de açougueiro foi o sustento da família por muitos anos, mas Miro costumava aceitar outros trabalhos por fora. “Saía daqui e ia lá na Carmindo de Campos, pegava o ônibus para ganhar R$ 5 por cada vaca desossada. O açougueiro me dava uma caixa de osso e eu trazia”, conta o dono do bar.

“Osso, pelanca, o que sobrava, era o que tinha”, completa Adriana.

Aos 59 anos, Miro ainda abre o bar todos os dias, mas fecha o portão religiosamente ao meio-dia para almoçar e descansar até às 14h. O estabelecimento fica aberto até às 20h, horário que ele fecha sem se importar com as reclamações dos clientes fiéis. Assim, Miro segue recebendo clientes sob o olhar permanente do Ronald McDonald instalado no telhado, a maioria deles em busca da “raizada” que ele produz com cachaça.

Orgulhoso, Miro diz que a mulher nunca precisou trabalhar fora de casa. “Fui lutando, lutando, lutando, criei minhas filhas e minha mulher nunca precisou trabalhar fora. Só eu”.

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