A planta de esmagamento de soja do Grupo Safras representa um dos principais ativos do conglomerado, com capacidade para processamento diário de centenas de toneladas de grãos e geração de empregos diretos e indiretos na capital mato-grossense. O empreendimento foi um marco da expansão do grupo no setor agroindustrial, mas acabou envolvido nas disputas judiciais que se seguiram à crise financeira das empresas controladas pelos empresários Dilceu Rossato e Pedro de Moraes Filho.
Nos últimos anos, a fábrica se tornou o centro de uma disputa complexa. Contratos de arrendamento e subarrendamento celebrados sob sigilo judicial transferiram o controle do ativo para empresas vinculadas a Valdoir Slapak, administrador da massa falida da Olvepar e controlador da Allos e da Carbon Participações. O Grupo Safras contesta essas operações e afirma que o bem foi desviado do seu patrimônio por meio de uma sucessão de manobras jurídicas.
A D&P Participações Ltda. — credora com mais de R$ 75 milhões em debêntures — apresentou um pedido de impugnação da recuperação extrajudicial em que aponta que o pedido de recuperação da Allos é viciado por fraudes, com simulação de créditos, manipulação do quórum de aprovação e uso de empresas interpostas para fabricar artificialmente a adesão necessária à homologação.
A D&P também demonstra que parte dos créditos apresentados pela Allos é fictícia, baseada em notas promissórias de curto prazo sem liquidez ou prova de pagamento, emitidas entre empresas do mesmo grupo. A manobra teria o objetivo de inflar artificialmente o passivo e criar a aparência de apoio de credores para legitimar o plano — o que a impugnação classifica como autofinanciamento e fraude contra credores.
O caso se agrava porque o plano da Allos está lastreado na Planta de Cuiabá, ativo ainda em disputa judicial e cuja posse é contestada pelo Grupo Safras. Para a D&P, o verdadeiro objetivo da recuperação é blindar juridicamente a fábrica e impedir que ela volte ao patrimônio do grupo que a construiu, evitando o pagamento das dívidas trabalhistas, fiscais e comerciais vinculadas à operação.
A peça judicial também detalha uma rede de relações familiares e societárias envolvendo nomes ligados ao Grupo Safras, à Allos e à Carbon Participações, controladas por Slapak. O mesmo círculo de empresários e familiares aparece em diversos processos de recuperação judicial e extrajudicial em Mato Grosso, reproduzindo um padrão de manipulação processual já investigado pela Polícia Federal.
Na visão da D&P, o plano da Allos não tem viabilidade econômica: depende de receitas de um ativo litigioso, carece de garantias reais e é sustentado por títulos de valor duvidoso. Diante dos indícios, a impugnação pede a rejeição da homologação, a realização de perícia contábil, o bloqueio de bens e contas dos envolvidos e a remessa do caso ao Ministério Público e à Polícia Federal.
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