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Pequenos negócios aceleram digitalização em 2026

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Uso de internet, redes sociais e ferramentas de gestão avança, mas capacitação e adoção estratégica ainda são desafios

Créditos: istock/Choreograph (Konstantin Yuganov)

A digitalização de pequenos negócios no Brasil avança em 2026, mas de forma desigual. Pesquisa do Sebrae mostra que 88% dos pequenos negócios já utilizam a internet no dia a dia, mas a intensidade desse uso varia significativamente entre portes e setores. A transformação digital está concentrada em atividades como comunicação, redes sociais e serviços financeiros, enquanto aplicações estratégicas de gestão ainda têm baixa adoção.

 

O cenário mostra que estar conectado não significa necessariamente utilizar tecnologia em todas as áreas da operação. Para muitos empreendedores, a presença digital começa com recursos mais simples e avança conforme surgem necessidades relacionadas à gestão, vendas, atendimento e organização de processos.

 

O avanço da digitalização entre pequenos negócios no Brasil

 

A Pesquisa TIC (Tecnologias da Informação e Comunicação) 2025, elaborada pelo Sebrae, mostra que 88% dos pequenos negócios utilizam a internet no dia a dia. O levantamento também identifica diferenças entre os portes: enquanto 74% dos Microempreendedores Individuais (MEIs) utilizam internet, o percentual chega a 88,1% entre microempresas e a 95,7% entre pequenas empresas.

 

Os dados indicam que a digitalização de pequenos negócios já está presente em uma parcela significativa do setor, mas a intensidade desse uso varia. De acordo com o Sebrae, redes sociais e serviços bancários estão entre os principais usos, enquanto aplicações mais estratégicas ainda têm menor presença.

 

A pesquisa aponta ainda que menos de 13% dos pequenos negócios utilizam a internet para atividades como cursos, marketplaces ou plataformas de gestão. O dado ajuda a diferenciar o simples acesso à tecnologia de uma utilização voltada à organização e ao desenvolvimento da empresa.

 

A diferença também aparece entre setores. Segundo o levantamento, agropecuária, indústria e construção apresentam índices de utilização da internet inferiores aos observados em outros segmentos. Isso mostra que o avanço da tecnologia não ocorre de maneira uniforme entre as atividades econômicas.

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Para 2026, o Sebrae RS aponta inteligência artificial, análise de dados, automação e integração entre sistemas como tendências que podem influenciar a modernização dos pequenos negócios. A instituição ressalta, porém, que transformar essas tecnologias em resultados continua sendo um desafio, especialmente para empresas de setores tradicionais.

 

Onde ainda estão as lacunas

 

O principal desafio não está apenas no acesso à internet, mas na capacidade de utilizar os recursos digitais de maneira integrada à operação. Um negócio pode manter perfis em redes sociais e realizar transações bancárias digitais sem necessariamente utilizar tecnologia para controlar estoque, analisar informações ou organizar processos.

 

A diferença entre os portes reforça essa questão. Os MEIs apresentam um nível de utilização da internet inferior ao das micro e pequenas empresas, segundo a Pesquisa TIC 2025.

 

Para os menores negócios, a limitação pode estar relacionada à estrutura disponível, ao tempo necessário para aprender novas ferramentas ou à dificuldade de identificar quais recursos são realmente adequados à atividade.

 

A capacitação aparece, portanto, como parte importante desse processo. O levantamento do Sebrae informa que mais da metade dos empreendedores pesquisados já realizou cursos online, indicando que a formação digital também passou a fazer parte da adaptação dos negócios.

 

Outro ponto é a concentração da digitalização em determinadas funções. A presença digital do empreendedor pode começar com comunicação e relacionamento com clientes, mas a evolução envolve outras áreas.

 

Gestão financeira, organização de dados, atendimento, estoque e planejamento podem incorporar recursos digitais de acordo com as necessidades de cada negócio.

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Nesse contexto, vender online tornou-se parte da rotina de muitos pequenos negócios, muitas vezes começando de forma simples, pelo WhatsApp ou redes sociais, antes de evoluir para soluções mais estruturadas.

 

Caminhos práticos para acompanhar a mudança

 

A adaptação não precisa ocorrer de uma só vez. Um primeiro passo é identificar quais atividades consomem mais tempo ou apresentam dificuldades de organização e avaliar se alguma solução digital pode simplificá-las.

 

A partir desse diagnóstico, o empreendedor pode priorizar ferramentas relacionadas às necessidades mais imediatas, evitando adotar recursos apenas pela novidade. Entre os pontos que podem ser avaliados estão:

  • Organização financeira e fluxo de caixa;
  • Controle de estoque e pedidos;
  • Relacionamento e atendimento ao cliente;
  • Presença digital e comunicação;
  • Vendas e acompanhamento de resultados;
  • Armazenamento e organização de informações.

 

A pesquisa do Sebrae também indica que quase metade dos pequenos negócios já utiliza softwares ou aplicativos capazes de integrar diferentes áreas da empresa, embora a adoção seja mais intensa entre empresas de maior porte.

 

A transformação digital, portanto, não se resume à criação de uma presença digital ou à aquisição de ferramentas. Ela envolve incorporar tecnologia gradualmente aos processos que fazem parte da rotina empresarial.

 

Para MEIs e pequenos empreendedores, esse movimento pode começar por atividades básicas e avançar conforme a empresa identifica novas necessidades. O cenário de 2026 mostra um setor cada vez mais conectado, mas ainda com diferenças importantes de acesso, capacitação e uso estratégico.

 

A digitalização, nesse sentido, aparece menos como uma mudança única e mais como um processo contínuo de adaptação da gestão às novas formas de operar e se relacionar com consumidores.

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