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MULHERES NA POLÍTICA; Maioria do eleitorado e minoria na disputa ao Estado e Senado em MT

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Fred Moraes [email protected] Montagem GD

Mesmo representando a maioria do eleitorado de Mato Grosso, as mulheres continuam ocupando espaço reduzido nas principais disputas das eleições de 2026. Dos cerca de 2,6 milhões de eleitores aptos a votar no Estado, aproximadamente 51% são mulheres. Ainda assim, às vésperas das convenções partidárias, apenas uma candidata aparece entre os oito concorrentes ao governo do Estado e somente duas entre os sete nomes colocados para a disputa ao Senado.

 

Na corrida pelo Palácio Paiaguás, a única mulher é a médica Natasha Slhessarenko (PSB). Os demais pré-candidatos são Otaviano Pivetta (Republicanos), Jayme Campos (União Brasil), Wellington Fagundes (PL), Maurício Coelho (Inconfidência), Alex Pucinelli (Democracia Cristã), Sargento Laudicério Machado (PP) e Marcelo Malluf (Novo).

 

Já na disputa pelas duas vagas ao Senado, apenas a deputada estadual Janaina Riva (MDB) e a senadora Margareth Buzetti (PP) aparecem entre pré-candidatos. Completam a lista Antonio Galvan (Avante), José Medeiros (PL), Mauro Mendes (União), Carlos Fávaro (PSD) e Pedro Taques (PSB).

 

Acervo Pessoal

Christianny Fonseca

A cientista política Christiany Fonseca

Para a cientista política Christianny Fonseca, a discrepância entre o tamanho do eleitorado feminino e sua presença nas candidaturas majoritárias evidencia uma contradição da política mato-grossense. Segundo ela, embora a baixa representatividade mereça reflexão, o voto não deve ser orientado apenas pelo gênero dos candidatos.

 

“As mulheres representam 51% do eleitorado, mas continuam chegando em um número muito reduzido às disputas pelos cargos de maior poder. O principal critério não deve ser o gênero da candidatura, mas a capacidade de responder aos problemas que mais atingem a vida das mulheres mato-grossenses”, avaliou.

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A analista destaca que temas como feminicídio, violência doméstica, desigualdade salarial, acesso à creche, autonomia econômica e participação feminina nos espaços de decisão precisam ocupar o centro do debate eleitoral.

 

“Não basta o discurso em defesa das mulheres. A eleitora precisa avaliar quem apresenta propostas concretas, orçamento para executá-las e equipes comprometidas com essas políticas públicas”, pontuou.

 

Na avaliação de Christianny, a baixa presença feminina nas chapas majoritárias também produz reflexos sobre as candidaturas proporcionais, já que campanhas ao Estado e Senado concentram recursos, visibilidade e articulações políticas.

 

“Quando existem poucas mulheres nesses espaços, as candidaturas femininas proporcionais também tendem a perder protagonismo, capacidade de mobilização e força política dentro dos próprios partidos”, explicou.

 

Ela ressalta que a perda não é apenas eleitoral, mas institucional. Segundo a cientista política, democracias mais plurais tendem a produzir políticas públicas mais abrangentes justamente por incorporarem diferentes experiências sociais no processo de tomada de decisão.

 

“Quando uma mulher deixa de chegar ao poder, não perde apenas uma candidata. A política perde uma perspectiva e a sociedade perde parte da sua capacidade de enxergar todos os seus próprios problemas”, disse.

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Questionada sobre a máxima de que “mulher não vota em mulher”, a analista considera que a frase já não explica o comportamento do eleitorado atual. Para ela, o baixo número de mulheres eleitas está ligado a fatores estruturais, como a distribuição desigual de recursos pelos partidos, violência política de gênero, dificuldades de acesso aos espaços de poder e menor incentivo às candidaturas femininas.

 

“Hoje as mulheres chegam às urnas com identidades ideológicas, valores, religiões, profissões e expectativas diferentes. A pergunta não é mais se mulher vota em mulher, mas em qual projeto político ela acredita”, avaliou.

 

Christianny também aponta que os ataques direcionados às mulheres que ingressam na política contribuem para a baixa representatividade, embora não sejam o único fator.

 

Segundo ela, mulheres costumam ser julgadas não apenas por suas propostas, mas também pela aparência, vida pessoal, maternidade e comportamento, tornando o ambiente político mais hostil.

 

“O objetivo da violência política de gênero é aumentar o custo de ser mulher na política. Cada ataque envia uma mensagem para outras mulheres de que esse espaço não foi feito para elas”, afirmou.

 

Para a cientista política, enquanto mulheres continuarem enfrentando obstáculos maiores que os homens para disputar espaços de poder, a democracia seguirá perdendo representatividade, diversidade e qualidade na formulação das políticas públicas.

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