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O futuro é urbano; Por Rodrigo Arruda e Sá*

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Durante décadas, Mato Grosso teve um grande desafio: produzir. Produzimos mais, exportamos mais, atraímos investimentos e nos tornamos uma potência do agronegócio. Agora, porém, o Estado entra em uma nova etapa. O desafio deixou de ser apenas crescer economicamente; passou a ser garantir que suas cidades cresçam com planejamento e ofereçam qualidade de vida compatível com a riqueza que o próprio Estado produz.

Os números mostram que essa transformação já começou. Mato Grosso alcançou, em 2026, uma população estimada de 3,95 milhões de habitantes, registrando o terceiro maior crescimento populacional do país.

Cidades como Sinop, Sorriso, Lucas do Rio Verde, Primavera do Leste, Rondonópolis e a própria Cuiabá continuam expandindo rapidamente, impulsionadas pela força da economia regional. Esse crescimento representa uma enorme oportunidade, mas também exige responsabilidade na forma como essas cidades serão planejadas.

Crescer é uma excelente notícia. O problema é quando o crescimento chega antes do planejamento. Cuiabá oferece um exemplo claro. Há vinte anos, era possível atravessar a cidade em poucos minutos.

Hoje, congestionamentos fazem parte da rotina, novos bairros surgem cada vez mais distantes dos centros e o poder público precisa correr atrás de problemas que poderiam ter sido evitados. Se não houver planejamento, outras cidades mato-grossenses poderão enfrentar dificuldades semelhantes nas próximas décadas.

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Sinop já percebeu esse desafio. A prefeitura trabalha com a projeção de que a frota de veículos poderá ultrapassar 330 mil unidades até 2035, um crescimento estimado em cerca de 81% em relação aos níveis atuais. Por isso, decidiu elaborar seu Plano de Mobilidade antes que o trânsito se transforme em um obstáculo ao desenvolvimento. Planejar antes do problema aparecer custa muito menos do que tentar corrigi-lo depois.

Esse raciocínio vale para muito mais do que trânsito. Vale para habitação, saneamento, escolas, hospitais, parques, arborização e preservação ambiental.

Quando uma cidade cresce sem planejamento, os terrenos ficam mais caros, os deslocamentos aumentam, a infraestrutura se torna mais onerosa e os serviços públicos passam a correr atrás de uma demanda que nunca para de crescer. Quem paga essa conta é sempre o cidadão.

Como contador e empresário, aprendi que nenhuma empresa consegue crescer de forma sustentável ampliando suas vendas sem ampliar sua estrutura. É preciso investir em logística, contratar pessoas, organizar processos e planejar o futuro. Com as cidades acontece exatamente a mesma coisa. Crescimento sem planejamento não é desenvolvimento; é apenas expansão.

Também precisamos compreender que a competição entre os estados brasileiros mudou. Hoje, empresas disputam profissionais qualificados, e esses profissionais escolhem onde desejam viver.

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Cidades com boa mobilidade, parques bem cuidados, segurança, boas escolas, rios preservados e espaços públicos de qualidade tornam-se mais atrativas para investimentos e talentos. Urbanismo deixou de ser apenas uma questão estética; tornou-se uma estratégia de desenvolvimento econômico.

As cidades mato-grossenses ainda possuem uma vantagem rara. Ao contrário de muitas grandes capitais brasileiras, que hoje gastam bilhões tentando corrigir erros acumulados ao longo de décadas, elas ainda têm a oportunidade de evitá-los. Podem definir com antecedência onde crescerão, preservar áreas verdes antes que desapareçam, proteger seus rios e planejar sistemas de mobilidade antes que os congestionamentos se tornem permanentes.

Nos últimos anos, Mato Grosso mostrou ao Brasil que sabe produzir riqueza. Nas próximas décadas, precisará mostrar que também sabe construir cidades à altura dessa riqueza. O verdadeiro legado desta geração não será apenas deixar safras maiores ou um Produto Interno Bruto mais elevado. Será entregar aos nossos filhos cidades organizadas, sustentáveis, humanas e capazes de oferecer a mesma excelência que já alcançamos no campo.

*RODRIGO ARRUDA E SÁ é contador, bacharel em Direito, empresário e ex-vereador de Cuiabá.

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