Da tradição pastoril do Mediterrâneo à planície alagável, o autor traça paralelos históricos para interpretar a formação cultural, econômica e ambiental do homem pantaneiro
Mediterrâneo do latim “mediterraneus” que significa “no meio ou entre as terras”, designava originalmente o mar que se localiza entre Europa, África e Ásia.
Por estas bandas da Bacia Platina segundo o mapa de 1561 de Bartolomeu Velho, ele localizava enorme lago chamado Paraupava que ele latinizou denominando de Lacus Eupana, origem espanhola do mito do Mar de Xaraiés ou El Dorado, certamente por imaginarem uma enorme área inundada mediterrânea.
Logo perceberam clima hostil semelhante que remetia às populações que encontraram somente na pastorícia e na transumância dos seus rebanhos a sobrevivência naquelas bordas européias, africanas e asiáticas.
A Universidade de Coimbra planejou estrategicamente para a Coroa Portuguesa, a fundação de cidades e fortes visando a incorporação dessa área úmida mediterrânica e seus planaltos adjacentes, acessível a partir de São Paulo via fluvial e terrestre pela milenar Rota do Peabiru.
A semelhança das dificuldades climáticas exigindo mudança temporária do local de apascentamento, logo entrelaçou no cadinho pantaneiro todas essas culturas originaria do velho e do novo mundo, numa evolução revolucionária, criando no Bioma de todos os Biomas uma cultura de solidariedade envolvendo todas as espécies humanas, vegetais e animais.
Até a própria natureza parceceu ter adotado o príncipio apostólico do discernimento que embasavam essa determinação dos Atos : “Examinai tudo, retendo o que é benéfico.”
Quando os bandeirante desceram a Serra de Maracaju, trilhando Peabiru, notaram o mar de capim do Pantanal, pontilhado por milhares de cabeças de bovinos, equinos e ovinos esparramados por toda a planície pantaneira, originado nas criações que acompanhavam seus novos pastores: As tribos e clãs indígenas locais.
Quem melhor respondeu a essa nova atividade foram a fauna e flora pantaneira, em poucas centenas de anos vicejaram e foram acumulando exponencialmente os capins mais palatáveis, permitindo uma explosão de todo tipo de herbívoros e criando a base do incremento da população de aves e até de predadores…
Até que, quase cinco séculos depois, chegaram ao Pantanal invasores exógenos atraídos do início por calamitoso periodo de cheias , ansiosos por monetizar toda aquela maravilha sustentável, que essas gerações e gerações de pastores, cultivaram penosa e lentamente, prescindindo de favores governamentais.
A mais humilde familia ribeirinha ou coloniana tem na sua independência pessoal, e no voluntarismo de suas ações, a marca atávica das civilizações livres e libertárias que os antecederam, onde só o conhecimento e a integração plena com a natureza haviam garantido sua sobrevivência.
O pantaneiro é produto da mestiçagem dessas culturas do pastoralismo das bordas do Mar Mediterrâneo, onde nas comunidades e clãs rurais da Europa, Ásia e Africa as condições climáticas impuseram adaptação para sobreviver na pobreza dos solos, e que, no Novo Mundo, foi enriquecida por agregar conhecimentos atávicos ainda vivos no subconsciente coletivo das populações nativas locais.
Daí a tentativa ideológica de dividirem os mestiços pantaneiros, reinventando ou reimportando divisões tribais inexistentes, para escravizar através da implantação de um colonialismo tardio, de base aristocrática, Bwanas decidindo tudo através de arrogante poder político-econômico.
O ataque desses conquistadores se concentram no presente em controlar e manipular índios, quilombolas e populações tradicionais que estão sendo arregimentados nas periferias , em troca de benefícios pessoais às lideranças e acesso a fartas verbas públicas, sendo implantados como ativistas de institutos e ongs ambientalistas, inflando repentinamente as estratificadas populações por toda a Planície .
São as novas Companhias de Privilégios e Monopolios Governamentais exercendo novamente seu ditatorial poder econômico e político, através da monetização para extração imediata das commodities ambientais que se ampliaram e acumularam sob posse daquelas humildes populações rurícolas.
Manipulação dos organismos Governamentais de Comando e Controle Ambientais, aparelhamento da pesquisa científica que buscam ocultar fatos óbvios, chegando a interferir em verdades insofismáveis em benefício de versões ideológicas da História e da Geografia
O Pantanal expõe mas não impõe fatos verficáveis, auditáveis e comprováveis por perícias técnicas ou cientificas isentas, ou simples consulta a relatorios oficiais dos Bombeiros Militares: Incêndios descontrolados no Pantanal ocorrem sempre a partir das APPs e das “Areas de parques e reservas protegidas”, e ainda, agora espicaçado pela advertência e amparado nos históricos familiares pantaneiros, rogando que os urbanos tenham presente a guerra assimétrica que transformou quem cuida em inimigo público, e vice versa, travada dia e noite no Pantanal e na mídia, como previsto por George Orwel em 1984:
“Quem controla o passado controla o futuro; quem controla o presente controla o passado.”.
Armando Arruda Lacerda

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