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Profissões ligadas à engenharia e tecnologia concentram as melhores remunerações do setor privado em Mato Grosso

Indian Male Industrial Engineer And Hispanic Female Supervisor Using Laptop And Talking At An Electronics Factory. Man Using Soldering Jet Printer, Explaining Process Behind Production Of Motherboards

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Levantamento do Observatório da Indústria mostra que profissões ligadas à estas áreas do conhecimento estão entre as mais bem remuneradas da iniciativa privada e revelam como a transformação tecnológica da indústria vem redefinindo o perfil dos profissionais mais valorizados no estado

Profissões ligadas à engenharia, tecnologia da informação, automação e gestão estão entre as mais valorizadas do setor privado em Mato Grosso. Segundo um levantamento do Observatório da Indústria, o estado reúne atualmente mais de 155 mil trabalhadores com ensino superior que atuam na iniciativa privada e revela que carreiras técnicas e especializadas chegam a registrar remunerações médias superiores a R$ 10 mil, evidenciando a crescente participação de profissionais qualificados em setores estratégicos da economia estadual.

Entre as carreiras com as maiores médias salariais destacam-se: Engenheiro de Produção, com remuneração média de R$ 10.408,79, e Engenheiro Agrônomo, com R$ 10.035,78. Também figuram entre as carreiras mais valorizadas: Analista de Desenvolvimento de Sistemas (R$ 8.404,85), Administrador de Redes (R$ 6.672,41) e Analista de Sistemas de Automação (R$ 6.653,70). Outras ocupações ligadas à engenharia, tecnologia e gestão também aparecem entre as carreiras de maior valorização salarial na iniciativa privada.

Outro dado que chama atenção no levantamento é o desempenho da Engenharia de Controle e Automação. Embora ainda reúna menos de 30 profissionais empregados no setor privado mato-grossense, a carreira registra remuneração média de R$ 12.313,43, a maior entre as profissões de ensino superior analisadas no levantamento. O cenário indica uma demanda por profissionais altamente especializados em automação e controle de processos, área que tende a ganhar espaço com o avanço da digitalização industrial.

Os dados também revelam que a valorização dessas profissões acompanha as transformações do setor produtivo. À medida que empresas investem em automação, digitalização e aumento da produtividade, cresce a demanda por profissionais capazes de desenvolver soluções tecnológicas, otimizar processos, integrar equipes multidisciplinares e contribuir para a competitividade dos negócios.

Profissões técnicas ganham espaço com transformação da indústria

O levantamento do Observatório da Indústria mostra que as carreiras de maior remuneração estão concentradas em áreas como engenharia, tecnologia da informação, automação, logística e gestão de processos, refletindo as mudanças observadas no perfil da demanda por profissionais qualificados.

Esse movimento acompanha a expansão de setores estratégicos para a economia estadual, como agroindústria, indústria de transformação, mineração, construção civil e logística. Com operações cada vez mais automatizadas e orientadas por dados, as empresas passaram a demandar profissionais preparados para atuar em ambientes produtivos mais complexos e intensivos em tecnologia.

Para a diretora regional do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de Mato Grosso (Senai MT), Fernanda Campos, o levantamento confirma uma tendência observada pela indústria nos últimos anos.

“Quando observamos que engenharia, tecnologia e automação concentram algumas das maiores remunerações do mercado, percebemos que a transformação tecnológica já faz parte da realidade da indústria. As empresas buscam profissionais preparados para atuar em processos cada vez mais automatizados, conectados e orientados pela inovação, o que reforça a importância de uma formação alinhada às necessidades do setor produtivo”, afirma.

A trajetória de Salomão Souza ilustra esse movimento observado na indústria mato-grossense. Após iniciar a carreira como operador de máquinas e pintura industrial em uma fábrica de autopeças do grupo Mitsubishi Motors, no Japão, ele retornou ao Brasil e atuou em empresas do Distrito Industrial de Cuiabá. Foi a graduação em Gestão da Produção Industrial, pelo Centro Universitário do Senai Mato Grosso (UniSenai MT), que abriu caminho para que ele assumisse posições de liderança, ao migrar da operação para a gestão de pessoas, processos e planejamento industrial.

“A experiência prática foi essencial para a minha formação, mas a graduação me deu a visão estratégica necessária para assumir funções de liderança. Hoje, consigo unir o conhecimento do chão de fábrica à gestão da produção, tomando decisões voltadas à eficiência, à qualidade e à melhoria contínua. A qualificação ampliou minhas oportunidades e me preparou para acompanhar as transformações que a indústria vive atualmente”, afirma o ex-aluno.

Formação acompanha novas exigências do mercado

A valorização dessas profissões também vem influenciando a oferta de ensino superior. Nos últimos anos, instituições de ensino passaram a ampliar graduações voltadas às áreas que concentram maior demanda do setor produtivo, acompanhando as mudanças no perfil das vagas e das competências exigidas pelas empresas.

Esse movimento também pode ser observado no UniSenai MT, que recentemente incorporou os cursos de Engenharia de Controle e Automação, Engenharia de Produção e Engenharia de Software ao seu portfólio. As novas graduações se somam aos cursos de: Administração, Agrocomputação, Análise e Desenvolvimento de Sistemas, Automação Industrial, Gestão do Agronegócio, Gestão da Produção Industrial, Gestão de Recursos Humanos, Logística, Processos Gerenciais, Segurança Cibernética e Segurança da Informação.

A oferta acompanha um cenário em que diversas profissões relacionadas a essas áreas figuram entre as mais valorizadas do mercado privado mato-grossense, demonstrando uma convergência entre a formação superior e as necessidades atuais da indústria.

Segundo a pró-reitora do UniSenai MT, Ana Cristina Caldart, o levantamento reforça a importância de aproximar o ensino superior das transformações vividas pelo setor produtivo.

“A velocidade das transformações tecnológicas exige uma formação cada vez mais conectada à realidade da indústria. Quando os currículos dialogam com as necessidades do setor produtivo, o profissional chega ao mercado mais preparado para atuar em áreas estratégicas e de alta complexidade”, avalia.

Em um cenário de expansão da indústria, da agroindústria, da logística e da mineração, a tendência é que áreas ligadas à engenharia, tecnologia e gestão continuem desempenhando papel estratégico na formação de profissionais qualificados pelo desenvolvimento de Mato Grosso.

Texto: Emerson William

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