A substituição de cinco tributos por um novo modelo de arrecadação, a possibilidade de aproveitamento de créditos tributários e mudanças que afetam diretamente o fluxo de caixa das empresas já exigem atenção dos empresários. Embora a maior parte das regras passe a valer gradualmente a partir de 2027, algumas decisões precisam ser tomadas ainda este ano para evitar impactos na competitividade dos negócios.
Esses foram os principais temas debatidos durante a palestra “Reforma Tributária: menos dúvida, mais estratégia”, promovida pelo Conselho da Mulher Empresária (CME) da Associação Comercial e Empresarial de Cuiabá (ACCuiabá), em parceria com a BPW Cuiabá. O encontro foi realizado no dia 24 de julho, na sede da ACCuiabá, reunindo empresárias para discutir, de forma prática, como as mudanças previstas na legislação afetarão a rotina das empresas.
Durante a apresentação, as advogadas tributaristas Lucélia Alves e Sandra Mara explicaram que o sistema tributário brasileiro passará por uma reorganização. Tributos como PIS, Cofins, ICMS, ISS e IPI serão gradualmente substituídos pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e pelo Imposto Seletivo (IS), incidente sobre produtos considerados prejudiciais à saúde e ao meio ambiente.
As especialistas destacaram que a reforma vai muito além da troca de tributos. A nova sistemática altera a emissão de notas fiscais, o aproveitamento de créditos tributários, a relação entre empresas fornecedoras e clientes e a forma como o empresário administra o próprio caixa. Um dos alertas feitos durante a palestra foi sobre a necessidade de planejamento antecipado, especialmente para empresas optantes pelo Simples Nacional, que precisarão avaliar qual modelo de recolhimento será mais vantajoso para manter a competitividade.
Outro ponto discutido foi a mudança na dinâmica do fluxo de caixa. Com o novo sistema, parte dos tributos será recolhida de forma mais imediata, reduzindo a possibilidade de utilizar esses valores temporariamente como capital de giro. Segundo as palestrantes, isso exigirá uma revisão da precificação dos produtos e serviços, além de um planejamento financeiro mais rigoroso.
Para a presidente do Conselho da Mulher Empresária da ACCuiabá, Mariza Bazo, discutir a Reforma Tributária com antecedência é uma forma de preparar as empresárias para um cenário que exigirá decisões estratégicas.
“A Reforma Tributária traz mudanças que impactam diretamente a gestão das empresas. Nosso objetivo é proporcionar informação qualificada para que as empresárias compreendam essas transformações, possam dialogar com seus contadores e tomem decisões mais conscientes para seus negócios”.
Segundo a palestrante Lucélia Alves, a reforma exige uma postura mais ativa dos empresários diante das decisões tributárias. “A reforma não pode ser tratada apenas como um assunto do contador. O empresário precisa entender as mudanças, questionar e participar das decisões, porque elas influenciam diretamente a competitividade e a saúde financeira da empresa.”
Já Sandra Mara destacou que o período de transição deve ser utilizado para preparar as empresas. “O momento de se preparar é agora. As empresas precisam revisar processos, planejar o fluxo de caixa e avaliar a estratégia tributária mais adequada para o seu modelo de negócio. Esperar a reforma entrar em vigor pode significar perder oportunidades e enfrentar dificuldades na adaptação”.
A presidente da BPW Cuiabá, Rúbia Ranzani, ressaltou que a parceria entre as entidades fortalece as ações voltadas ao desenvolvimento das mulheres empreendedoras. “A BPW e o Conselho da Mulher Empresária compartilham o propósito de desenvolver mulheres por meio do conhecimento, da capacitação e da troca de experiências. É uma forma de ampliar oportunidades e fortalecer o empreendedorismo feminino”.
Ao final do encontro, as participantes destacaram a relevância do tema. Para a conselheira Lorena Rodrigues, a palestra contribuiu para transformar um assunto técnico em conhecimento aplicável à realidade das empresas.
“A palestra trouxe informações claras e acessíveis sobre um tema que ainda gera muitas dúvidas. Foi um momento de aprendizado que nos ajuda a compreender melhor os desafios e as oportunidades para os nossos negócios”.
A conselheira Dayana Duzanowski ressaltou a importância de promover debates sobre temas estratégicos para o empresariado. “É um tema que impacta todas as empresas. Encontros como este nos permitem esclarecer dúvidas, trocar experiências e nos preparar para as mudanças. Parabenizo o CME pela iniciativa e já fico na expectativa pelos próximos encontros”, concluiu.
Foto: Assessoria






























