Ao autorizar a transferência, o juiz Alexandre de Mello Guerra concluiu que o antigo local não oferecia as condições mais adequadas para garantir uma vida digna a Sandro. O magistrado também considerou que o santuário em Mato Grosso estava apto a recebê-lo.
Da Redação OD – Bruna Barbosa
O elefante Sandro, de 54 anos, finalmente chegou ao Santuário de Elefantes Brasil (SEB), em Chapada dos Guimarães, nesta sexta-feira (18), após percorrer cerca de 1,6 mil quilômetros desde Sorocaba, no interior de São Paulo. Um vídeo mostra o animal já no novo lar e tomando banho após a longa viagem.
Sandro deixou o Zoológico Municipal Quinzinho de Barros, em Sorocaba, na quarta-feira (16), dentro de uma caixa de transporte especialmente preparada para a viagem. O trajeto até o santuário foi feito em etapas, com paradas para descanso, alimentação e hidratação.
Antes de seguir para a propriedade em Chapada dos Guimarães, a equipe precisou trocar o caminhão que transportava a caixa de Sandro por um veículo menor. A mudança foi necessária por causa das curvas e das condições de acesso ao trecho final da viagem.
Já no santuário, Sandro começa uma nova fase após mais de quatro décadas vivendo no zoológico de Sorocaba. Ele chegou ao local sem intercorrências durante o trajeto, segundo informações divulgadas pela equipe responsável pelo transporte.
O Santuário de Elefantes Brasil possui cerca de 1,1 mil hectares e abriga outros elefantes resgatados. O espaço não é aberto à visitação pública e foi criado para oferecer aos animais condições para desenvolver comportamentos naturais após anos de cativeiro.
A transferência de Sandro foi autorizada pela Justiça após uma disputa que se estendeu por anos. O animal vivia no zoológico de Sorocaba desde 1982, depois de ter passado por circo, e se tornou um dos principais personagens da cidade ao longo das últimas décadas.
Fotos mostram tumulto na saída de Sandro de zoológico de Sorocaba e cubículo em que animal vivia antes de Santuário
Da Redação – Bruna Barbosa
Crédito: Roberto Monge

Fotos feitas pelo fotojornalista Roberto Monge registraram a despedida do elefante Sandro, de 54 anos, antes da transferência do animal do Zoológico Municipal Quinzinho de Barros, em Sorocaba (SP), para o Santuário de Elefantes Brasil, na Chapada dos Guimarães (a 64 km de Cuiabá). As imagens mostram moradores emocionados, pessoas chorando e crianças segurando cartazes contra a mudança.
Em um dos registros, uma criança aparece com um cartaz em que pede “Justiça pelo Sandro, ele vai morrer lá, deixa ele aqui”. A mobilização reuniu moradores que defendiam a permanência do elefante no zoológico e temiam que a viagem, de aproximadamente 1,6 mil quilômetros, representasse riscos para o animal.
A saída ocorreu após anos de disputa judicial sobre o destino do elefante. O caso envolve, de um lado, a defesa da permanência de Sandro no zoológico pela Prefeitura de Sorocaba e, de outro, pedidos para que o animal fosse levado ao Santuário de Elefantes Brasil.
A discussão ganhou força após a morte da elefanta Haisa, companheira de Sandro por cerca de 25 anos, em 2020. O Ministério Público de São Paulo passou a defender a transferência do animal para o santuário, e o caso avançou na Justiça.
Em junho deste ano, o Tribunal de Justiça de São Paulo autorizou a transferência após uma série de perícias, decisões e recursos. A Prefeitura de Sorocaba tentou impedir ou adiar a mudança, mas a Justiça manteve a determinação para que Sandro fosse levado ao santuário em Mato Grosso.
A disputa também envolveu avaliações sobre as condições em que Sandro vivia. Um laudo citado no processo apontou que o elefante poderia ter melhor qualidade de vida no santuário, enquanto a Prefeitura defendia a permanência do animal e questionava os riscos de uma viagem tão longa para um elefante idoso.
Antes da viagem, Sandro passou por um período de adaptação à caixa de transporte. Segundo o Santuário de Elefantes Brasil, o animal entrou voluntariamente na estrutura diversas vezes nos dias anteriores ao embarque. Quatro câmeras foram instaladas no interior da caixa para acompanhar seu comportamento durante o trajeto.
A viagem até a Chapada dos Guimarães foi planejada para durar cerca de dois dias e meio, com paradas para alimentação, descanso e monitoramento.
Galeria de fotos
Crédito: Roberto Monge































