Uso de imagens como parâmetro estético exige cuidado; diferenças anatômicas e limitações técnicas podem impactar o resultado final
Levar fotos de celebridades para a consulta com o cirurgião plástico é uma prática cada vez mais comum entre pacientes que buscam procedimentos faciais. As imagens funcionam como uma forma de traduzir preferências estéticas, mas podem criar uma expectativa difícil de ser atingida quando interpretadas como um padrão exato a ser reproduzido.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), a busca por procedimentos estéticos cresceu nos últimos anos, acompanhando a maior exposição a padrões de beleza nas redes sociais. Nesse cenário, referências visuais passaram a fazer parte da rotina dos consultórios, especialmente em cirurgias como rinoplastia, mentoplastia e harmonização facial.
Para o cirurgião plástico Vidal Guerreiro, mestre em Cirurgia Plástica pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e membro titular da SBCP, a imagem pode ajudar na comunicação, mas precisa ser contextualizada.
“Quando o paciente leva a foto de um famoso, ele está mostrando mais ou menos o que ele quer com a cirurgia. Isso é válido. O problema começa quando essa imagem é tratada como um resultado possível de ser copiado e é nosso dever explicar que a anatomia de cada pessoa impõe limites que precisam ser respeitados”, explica.
A principal diferença entre inspiração e resultado está na individualidade. Estrutura óssea, espessura da pele, proporções faciais e até a qualidade dos tecidos influenciam diretamente no desfecho de uma cirurgia.
Segundo dados da International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS), o Brasil está entre os países que mais realizam cirurgias plásticas no mundo, o que também amplia o debate sobre expectativas irreais associadas aos procedimentos.
“Duas pessoas podem trazer a mesma foto de referência, mas ela não terá o resultado idêntico ao da foto e não será idêntico uma da outra. A cirurgia precisa respeitar o rosto do paciente para que o resultado seja harmônico e principalmente seguro”, afirma Vidal.
Além disso, fatores como cicatrização, resposta inflamatória do organismo, idade e hábitos de vida também interferem no resultado final.
Avaliação médica define o que é indicado
Antes de qualquer procedimento, a avaliação individual é determinante. O médico analisa não apenas o desejo do paciente, mas também as condições clínicas e anatômicas que permitem ou não a realização da cirurgia.
Em alguns casos, o resultado esperado pode exigir abordagens diferentes ou até a contraindicação do procedimento solicitado.
“Às vezes, o paciente quer alterar demais o formato do rosto. Isso pode comprometer a função ou gerar um resultado artificial. A decisão precisa equilibrar estética e saúde”, afirma.
Especialistas apontam que a frustração costuma estar mais relacionada à expectativa do que ao resultado técnico da cirurgia. Por isso, a comunicação entre médico e paciente é considerada uma das etapas mais importantes do processo. Simulações, explicações detalhadas e exemplos de casos reais ajudam a construir uma visão mais realista.
“O objetivo não é transformar o paciente em outra pessoa. É melhorar características respeitando a identidade dele. Quando isso fica claro desde o início, a satisfação tende a ser maior”, destaca Vidal.
Para o especialista, referências podem ser úteis, desde que interpretadas como inspiração.
“A foto ajuda, mas não é um molde. A cirurgia precisa fazer sentido para aquele rosto. Quando existe essa compreensão, o resultado costuma ser mais natural e equilibrado”, finaliza.
Mais informações: drvidalguerreiro.com.br
Instagram: @DrVidalGuerreiro
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